Elvis Nuno Reis, 24 de Junho de 202230 de Dezembro de 2025 Elvis Presley: I’m gonna be forty soon, and nobody’s gonna remember me. Quando esta frase é dita no filme, já o ícone fez coisas suficientes para ser lembrado por muito tempo. E ainda não tinha acabado. Um dos nomes maiores da música é imortal para milhões, mas a sua vida continuava a ser um mistério para a maioria. Esta obra vem espalhar os factos, confirmar os boatos, lançar dúvidas, mas principalmente acabar com os segredos. A vida de Elvis teve vários acasos. Começa pela curiosidade de ter tido um gémeo nado-morto. Isso fez com que os pais depositassem muitas esperanças no que sobreviveu. E o pai foi preso o que os mandou para um bairro pobre, onde normalmente só estaria gente de cor. Elvis cresceu a ouvir e dançar R&B. Quando começou a cantar, encontrou um ponto entre o country e os blues, uma dança proibida, uma ponte entre brancos e negros. Enquanto a segregação destruía o país, Elvis tentava juntar. Lutou contra o governo, a igreja, e até o próprio agente. Teve anos dourados e anos negros. Mas deixou um legado gigantesco. O foco do filme não é no artista, mas no agente. O Coronel Parker foi o homem que tornou um músico num mito, mas por um preço demasiado elevado. E o filme alerta para isso desde o início. Não temos um final feliz. Não temos heróis. Temos a verdade nua e crua. Mas ao jeito de Baz Luhrmann. O som e a imagem trabalham em conjunto para nos darem um espectáculo ímpar. Pode ser uma biografia, mas o palco tem honras máximas. A música é a estrela. E tal como no monumental “Moulin Rouge!”, os sentimentos estão à flor da pele. É um filme sobre amor. Elvis ama a família, a música, mas também Priscilla, Lisa Marie e os fãs. Todo esse amor levou-o à exaustão. E os métodos de Parker para o manter no palco terminaram o serviço. É como no eterno dilema que temos no Cinema entre ser arte ou entretenimento. As duas visões não são mutuamente exclusivas, mas costumam estar em conflito. Elvis queria cantar e passar mensagens. Querria divulgar o seu estilo único e homenagear grandes artistas negros desconhecidos. Parker queria montar um enorme circo e vender milhões de bilhetes. Ainda que Elvis desse tudo em palco, foi o elevado número de espectáculos que levou a estrela à exaustão. Todos sabemos que foi cantor, soldado, actor e fez músicas de Natal. É um filme dedicado à música. Que agradará a quem conhece o artista e os informará do que não sabiam. Não tenta embelezar as partes feias, mas recorda que no fundo era uma boa pessoa. Com defeitos, mas a tentar fazer a diferença na sociedade para melhor. Fosse em protesto contra as normas, ou com canções. Assistiu aos assassinatos de JFK e MLK que tentaram fazer a diferença e não hesitou em correr os mesmos riscos. Não é lembrado por isso, mas devia ser. Fez o suficiente. Resta-nos pensar que num mundo melhor teria feito ainda mais. É um filme com enorme impacto visual, com uma banda sonora intemporal e com substância. Para ver sempre que passar. Filmes Filmes 2022 BiografiaMúsicaNuno Reis