Hanna (2011) Nuno Reis, 8 de Agosto de 201128 de Novembro de 2025 Na solidão da neve finlandesa uma rapariga caça um alce. O frio também é o habitat dela pelo que a competição não é justa para o animal que não enfrenta apenas uma inocente menina. Enfrenta uma máquina assassina em potência. Esta é Hanna. Tal como nas histórias de princesas, ela está a receber uma educação esmerada pelo pai, mas falta-lhe conhecer o mundo. O que mais deseja é escutar música. Um dia o pai diz-lhe que pode sair para o mundo quando quiser, mas que nada voltará a ser o que era. Este filme vai acompanhar o resultado dessa decisão. Uma adolescente inocente, que é simultaneamente o soldado perfeito, numa viagem pelo mundo em combates contra mercenários implacáveis e organizações secretas. A trama de espionagem é bastante linear e só alguns detalhes como a família americana em viagem (grande papel de Jessica Barden) e o maravilhoso universo de Grimm enriquecem uma história que podia ser mediana. A maioria das cenas são vulgares para um filme deste género e os acontecimentos sucedem-se de forma previsível, mas não é uma história habitual e a diferença não está em Hanna. Os maus e os bons confundem-se, nem mesmo por Hanna se deve torcer visto que tem a morte de alguém como único objectivo de vida. Não, Saoirse Rohan desta vez não é a estrela. A nível de actores Eric Bana tem vindo a criar um conjunto interessante de registos na última década. Comparável com Liam Neeson com quem até tem parecenças físicas. Ele sai-se bem apesar do pouco tempo. E Cate Blanchet, que não tem nada a provar no mundo do cinema, brilha ao longo de todo o filme. O que tem então “Hanna” de especial? Tem o escolhido de Rohan para realizar o projecto para o qual a convidaram. Joe Wright prova que é um dos grandes realizadores da actualidade ao tornar este argumento banal numa emocionante viagem de adrenalina que combina de forma quase perfeita o drama de uma adolescente com mortes sangrentas. As primeiras cenas na base secreta são um puro deleite. Wright diz descaradamente que é bom e uma enorme quantidade de talento dos seus colegas (fotografia, cenários, edição, música dos Chemical Brothers) comprova-o. No final há outra cena muito bem construída. Momentos que se destacam de um filme que se mantém miraculosamente acima das expectativas. Filmes Filmes 2011 Nuno Reis