Norwegian Ninja Nuno Reis, 25 de Junho de 201128 de Novembro de 2025 O traidor tornado herói A Guerra Fria foi um período muito conturbado para a Europa. O velho continente serviu de palco a imensas movimentações clandestinas e a verdadeira dimensão da guerra de informação nunca será revelada. A Noruega em particular, ficou chocada com um caso que envolvia um dos seus melhores agentes, Arne Treholt, a soldo do inimigo russo. Tendo este reino nórdico como hino uma música de nome “Sim, nós amamos este país” é fácil de concluir que esse acto chocante não foi encarado de ânimo leve. Como a melhor forma de superar os traumas é enfrentá-los, eis a forma escolhida para se rirem do que aconteceu. Nesta versão ficcionada dos factos, Treholt é o homem em quem o rei deposita máxima confiança e o comandante de um grupo secreto de guerreiros ninja de elite. Numa ilha longe dos olhares dos comuns mortais, treinam-se constantemente para o confronto contra uma força militar que comete actos terroristas contra os países aliados para despertar o nacionalismo. Treholt sabe que andam todos atrás dele. Por isso vai reunir uma equipa com os melhores para a derradeira missão. E preparar o seu sucessor para a eventualidade de falhar e precisar de uma segunda linha. Só que neste mundo de espiões e ninjas, nada e ninguém é o que parece. Os filmes de espiões começam a abusar da comédia. Percebe-se a intenção de ridicularizar esta situação desconfortável/humilhante, mas para os estrangeiros a personagem Treholt não tem carisma inato e por isso o filme deveria esforçar-se em conquistá-los. A base tem algumas semelhanças com a dos Thunderbirds (excepto pelo seus escudos feng shui) e nota-se alguma influência da série, até porque foi captado com uma fotografia estilo anos 80. Só que tudo depende do humor, e isso deixa muito a desejar. As piadas são todas do ridículo, não se preocupa com a construção de um fio condutor, orgulha-se de causar confusão… e com um twist mal amalhado acha que fica tudo resolvido. É uma homenagem ao cinema série Z dos 80. Se viesse efectivamente dessa altura talvez parecesse melhor, mas fazer um filme fraco só porque sim, não é boa política em época alguma. A ser visto por quem precisar de nostalgia. Filmes Filmes 2010 Guerra FriaNeuchatel 2011ninjasNuno Reis