Altiplano António Reis, 2 de Agosto de 201019 de Janeiro de 2026 Grande vencedor em Avanca 2010, “Altiplano” é um daqueles filmes feitos a pensar nos júris dos festivais. Presente em Cannes em 2009 na semana da Crítica em competição oficial, todo o filme parece feito à medida para conquistar galardões: tem um exotismo terceiro mundista qb, pisca o olho ao realismo mágico latino-americano e relembra o cinema popular que fez furor na Europa nos anos 80. Os seus únicos problemas são ser de realização europeia, fortemente financiado pelas estruturas do audiovisual da UE e o seu realismo mágico ter mais a ver com a Bélgica que com o universo de García Márquez. De uma eficácia narrativa a toda a prova e com uma qualidade técnica soberba, “Altiplano” tem tudo para agradar. Um olhar europeu etnocêntrico sobre a cultura andina, uma multiculturalidade que enlaça o misticismo religioso cristão com o animismo índio e finalmente uma estética que se sobrepõe à própria história dominando o ecrã. Sendo um filme fascinante e irresistível, sabe a pastiche faltando-lhe aquele toque de autenticidade que o cinema de Jorge Sanjinés tinha, mau grado a sua descarada opção política de esquerda. Realizado pela dupla Peter Brosens e Jessica Hope Woodworth, “Altiplano” revela o fascínio que as civilizações ameríndias sempre exerceram sobre os conquistadores europeus.Também este foi o El Dorado, a chave para o sucesso. Filme sobre o choque de civilizações onde o progresso ocidental choca com as superstições milenares dos indígenas, “Altiplano” é também aquele lugar mágico onde o lirismo é possível e onde, na morte, é possível encontrar a ponte para a solidariedade humana. A selecção de Avanca mais uma vez mostrou que o seu grau de qualidade o torna um lugar indispensável de encontro dos cinéfilos que de outra forma não teriam a possibilidade desta reunião de cinematografias tão ausentes do nosso circuito comercial. Filmes Filmes 2009 António ReisAvanca 2010Cannes 2009Mineração