The Goonies (1985) Nuno Reis, 13 de Março de 201028 de Novembro de 2025 Os goonies são bons que cheguem Para dar ambiente. É favor deixar a música tocar enquanto lêem. Duas tíbias cruzadas e uma caveira. O símbolo tradicional dos piratas é a peça inicial para um filme juvenil. Muito adequadamente a primeira cena é na prisão e com um corpo pendurado numa cela. Em seguida começam os tiros, o fogo e as perseguições. Mas entretanto já deu para as primeiras risadas com a aselhice dos vilões. À medida que os carros percorrem a cidade vamos vendo alguns dos jovens que a habitam. Parecem perfeitamente normais à primeira vista. Quando todos se juntam algo mágico acontece (e não me refiro à tradução que Mouth faz). Ficamos a saber que vão trocar a vila pela cidade por questões financeiras e pretendem fazer do último fim-de-semana juntos o maior acontecimentos das suas vidas. Eles querem criar uma recordação que nunca esqueçam. O primeiro passo é visitar o sotão. Entre lemes, roupas e livros de pirata ouvimos uma palavra que não nos sairá da cabeça jamais: Goonies. A odisseia começou. Aos nossos heróis juntam-se as duas adolescentes que vimos nas cenas iniciais. Tal como o mais velho dos outros cinco consideram-se demasiado crescidas para ainda se chamarem Goonies, mas o chamamento da aventura é mais forte do que elas e além disso Goonie não é um título que expire. Um Goonie será sempre um Goonie. Os quatro actuais e os três “na reserva” embarcam numa brincadeira que se tornará uma luta pelo passado comum, e pelo futuro que sonham ter juntos. Willie Zarolho, maior pirata do século XVII e o primeiro Goonie, é o único que pode impedir a venda forçada das propriedades. Nenhuma geração anterior de Goonies o conseguiu encontrar, mas nenhuma precisava tanto do ouro como eles. Têm menos de 24 horas para descodificar o mapa, sobreviver a armadilhas que deixariam Indiana Jones preocupado, fintar os bandidos e encontrar o tesouro. Se fosse fácil não seriam precisos os Goonies. A ideia de Steven Spielberg, passada a argumento por Chris Columbus, realizada por Richard Donner, produzida pela recente Amblin e pela poderosa Warner, com peças usadas do parque temático Disney e um elenco de desconhecidos foi o meu primeiro contacto sério com o cinema. Como disse Columbus recentemente “o que pode superar um navio-pirata?”. Primeiro do que tudo é um filme para despertar o aventureiro em cada criança. Faz-nos acreditar em piratas e tesouros, dá vontade de explorar grutas, enfrentar perigos, lutar pela vida sabendo que venceremos. Também ajuda a compreender as diferenças entre as pessoas, valoriza grupos heterogéneos e amizades maiores e mais longas do que a própria vida. Tem humor, acção e apesar dos muitos palavrões não incentiva ao mau comportamento, apenas a actos heróicos tresloucados, arriscados e não aprováveis pelos pais. É um filme que os pais recomendam aos filhos, que os filhos vêem com gosto e que provavelmente verão juntos muitas e muitas vezes. Infelizmente é desconhecido das pessoas da minha idade e dos mais jovens. Ficou associado aos nascidos na segunda metade dos anos 70, geração onde me infiltrei. Ainda bem para mim, tenha pena dos demais. Filmes Filmes 1980's adolescentesColheita SeleccionadaCriança desaparecidaNuno ReisPiratasTesouro