Life (por António Reis) António Reis, 17 de Outubro de 201516 de Agosto de 2025 Há vidas que davam filmes. Biopics como “Walk the Line” ou “Evita” são dois marcos de abordagens distintas do género. Desiludam-se todavia os que pensam que em “Life” estamos perante um biopic sobre James Dean. De facto este é um filme sobre um fotógrafo freelancer da Life que coincide um período da sua vida com James Dean, um rebelde à procura de uma causa. Anton Corbjin já tinha abordado o biopic em “Control” não renega as suas origens de fotógrafo e nesse sentido “Life” é um exercício de estilo sobre fotografia. Resistindo à tentação de nos dar uma imagem de Dean mais convencional, percorre pedaços de vida do actor, ainda que a centragem do filme recaia sobre Dennis Stock. Não por acaso a Life era a Bíblia das revistas e quem teve a felicidade de folhear algum número da revista, reconhece o seu conceito de que a melhor maneira de contar histórias não era por palavras, era sobretudo por imagens. A personagem Dean surge-nos retratada como insegura, inconstante, imatura, incapaz de lidar com sucesso com a sua fama precoce e a pressão omnipresente dos estúdios. Dane DeHaan por vezes exagera na representação que o aproxima perigosamente da caricatura de James Dean. O fotógrafo Dennis Stock aproxima-se perigosamente do cliché do autor em busca do seu scoop, um paparazzi avant la lettre, ele próprio em conflito com o seu mundo. Curiosamente “Life” passa discretamente sobre as personagens femininas, mesmo a belíssima Pier Angeli (interpretada por Alessandra Mastronardi) e por uma ainda mais discreta referência a Natalie Wood. Reconheça-se a inegável qualidade estética da fotografia o que não faz esquecer que o guião se perde num labirinto de pistas, deixando-as penduradas sem resolução. A figura de Jack Warner é demasiado estereotipada e caricatural, as passadeiras vermelhas das estreias são pouco aprofundadas, as mudanças de cenário entre Nova Iorque, Indiana e Los Angeles não permitem desenvolver a estrutura dramática da narrativa e os dramas pessoas e familiares dos dois centros do enredo não têm tempo cinematográfico para dar consistência às personagens. Filme interessante sobre um dos temas caros à nostalgia cinéfila, mas que sabe a pouco. Filmes Filmes 2015 António ReisSitges 2015