Bobby António Reis, 31 de Janeiro de 200722 de Outubro de 2025 Bobby – um filme para riscar Bush da História e eleger Hillary Clinton ”Bobby” é o contributo da família Sheen à campanha democrata para as eleições presidenciais de 2008 e o retorno da melhor tradição de grandes filmes que o lobby liberal e democrárico de Hollywood lança para demonstrar que as correntes dominantes de direita da Admnistração americana não reflectem o sentir da elíte intelectual. Depois de “JFK” de Oliver Stone sobre o maior mito da História americana, faltava um filme sobre o segundo maior mito – o seu irmão Robert enquanto candidato presidencial, o homem capaz de dar esperança e recuperar a alma americana, devastada pela derrora anunciada no Vietname e por uma profunda divisão da sociedade. Emilio Estevez – filho de Martin Sheen – escolhe outra visão da História. Não uma teoria da conspiração como Stone, não um biopic, mas antes um pedaço filcral da vida de Bob Kennedy – o dia antes do assassinato. E opta por um puzzle de personagens que acidental ou profissionalmente se encontram no Hotel Ambassador. São retalhos da pequena história – as telefonistas do hotel em bisca de ascensão social por via da cama, o gerente que já viu passar pelo seu Hotel os grandes da política e do cinema e só lhe falta mesmo assistir a um crime político, a cabeleireira que descobre que o marido a trai, os dois adolescentes à descoberta dos paraísos prometidos pelo LSD, a noiva que se vai casar para que o namorado fuja à incorporação para a frente de batalha, a cantora em declínio que pensa ser ainda uma diva caprichosa, o empregado de cozinha mexicana que ainda sonha ser americano e o seu colega que já perdeu as ilusões e se auto-marginaliza, os membros da campanha que organizam a recepção para televisão ver, excertos de histórias que se vão entrecruzando em montagem paralela. E que convergem todas num final trágico. Todos eles vão viver e ser afectados por estarem no sítio errado a viver a História. Balançando entre o documental das imagens de arquivo e a ficção, entre os dramas comuns e o drama do Império americano, Estevez constrói um surpreendente filme “engagé”, que quer ajustar contas com a História e lembrar metaforicamente que a crise de valores que a América vieu na década de 70 está de novo aí, que o Iraque é um novo Vietname, que a violência nas ruas é um cancro que vai destruir a sociedade amnericana. Mas que a exemplo de Bob Kennedy é possível a América voltar a ser uma super potência retornando aos seus valores de liberdade e de democracia plena. Se os eleitores forem sensíveis ao filme, Hillary Clinton pode contar com Hollywood para a campanha. Uma banda sonora notável (mesmo com Brian Adams pelo meio) e revivalista e um cast onde se reunem nomes todos de relevo, a querer dar um ajudinha. Eu que sou fã de Bob Kennedy e ainda tenho esperança nos States, gosto muito do filme. Filmes Filmes 2007 António Reis