Jarhead António Reis, 12 de Janeiro de 200612 de Agosto de 2025 Desenganem-se os que pensam que “Jarhead” é a versão de Sam Mendes de “Platoon” ou “Full Metal Jacket”. Também não é “Three Kings” apesar do contexto. É um filme de recrutas e de uma guerra mas o tom é genuinamente de Sam Mendes. Baseado numa história verídica de um fuzileiro jarhead (cabeça de frasco) designação da gira ds fuzileiros, é um filme sobre o primeira guerra do Iraque a célebre Tempestade no deserto que libertou o Kuwait, apesar de o deixar em chamas. Começando como um filme de recrutas, daí o título português se aproveitar do conceito de máquina zero, cedo o filme passa dos rituais de iniciação às técnicas de combate e ás torturas de caserna para a situação em cenário de guerra virtual como foram os três meses que o exército americano passou na Arábia Saudita antes da invasão. É assim um filme sobre uma guerra virtual, sempre adiada, contra um inimigo invisível, onde só a areia imensa do deserto e os repórteres de televisão em busca de algumas “cachas” povoam o quotidiano. Neste pelotão abandonado nos confins de uma fronteira imaginária só a loucura parece estar presente. E nesta guerra original, o valente soldado Swoff consegue não matar um único iraquiano e só dispara para comemorar o triunfo. Pelo meio fica a paisagem surreal de um deserto com os poços de petróleo em chamas, a areia viscosa de nafta, um cavalo perdido das coudelarias dos sultões e as carcaças e cadáveres do automóveis e seus ocupantes apanhados ela aviação americana na auto-estrada para Bagdad. Uma visão cínica sobre o serviço militar, sobre a guerra do Bush pai e os interesses do petróleo e sobretudo sobre a anormalidade dos dramas individuais no regresso a casa. Uma das muitas cenas memoráveis é a exibição de “Apocalipse Now” e da sua cavalgada das valquírias perante a assistência ululante dos fuzileiros prestes a partir para o combate, ou a cena da cassete com o genérico de “Deer Hunter” de Cimino que esconde uma cena hardcore entre a mulher do fuzileiro e um seu vizinho. Apreciem a banda sonora sobretudo o original de Tom Waits que só por si valia o filme. Os fãs de filmes de guerra saíram desiludidos, os fãs de Sam Mendes também, os fãs de cinema não seguramente. Filmes Filmes 2005 António Reis
Concordo perfeitamente, acho que este filme foi muito subvalorizado pela crítica internacional. Está ao nível do que Sam Mendes fez em American Beauty. Responder