Black Adam Nuno Reis, 15 de Março de 202413 de Agosto de 2025 No meio de demasiados filmes de super-heróis, nada como haver o filme de um anti-herói. Na verdade até deveria ser o filme de um vilão, mas é muito difícil vender essa ideia pelo que a estreia de Black Adam em tela foi numa versão mais suave. Uma desilusão por não terem tentado o impossível, mas compreensível. Adam recebeu os poderes dos deuses pelas mãos dos feiticeiros que o acharam digno. Esses poderes foram usados para salvar o seu povo, mas talvez tenha exagerado pelo que foi aprisionado onde não pudesse causar dano. 5000 anos depois, o seu povo não está melhor e quando a ameaça fica crítica, Adam regressa para a deter. Só que agora a Terra tem um departmaneto secreto que quer impor regras e limites na forma como se combate o crime. Pelo menos quando são os outros. A forma como Dwayne Johnson conseguiu o papel principal deste filme – e os que recusou entretanto – deixavam ver que era um projecto especial para ele. Na altura a DC estava à rasca com o seu universo e precisava de algum humor para enfrentar o estilo Marvel. Depois de “Shazam” o caminho parecia óbvio e aqui tinham uma boa hipótese de combinar acção com humor. Nesse aspecto foi uma boa escolha. Um nome forte para compensar uma personagem menor. O elenco foi reforçado com Aldis Hodge e Sarah Shahi para dar alguma qualidade, e claro, Djimon Hounsou. O veterano de adaptações de comics tinha de regressar como feiticeiro. A enorme quantidade de personagens novas e relativamente pequenas que aqui foram usadas, deixavam ver que o foco estaria no protagonista. O nível de confronto gerado é razoável. A violência é levemente exagerada para os objectivos desta produção, mas também tinham o direito de experimentar algo diferente. E olhando com algum distanciamento, isso até funcionou. Contudo, o filme não. Tem um bom twist, boas personagens mortais, e um argumento consistente. A execução deixou a desejar. O resultado final desilude. Por um lado é tudo o que se podia esperar de um filme assim. Por outro, não é nada revolucionário. Acaba por ser mais próximo de um filme de acção/guerra que a comédia de super-poderes desejada. Abre algumas possibilidades para sequela, e para cruzamento com outros heróis, mas a vontade de ver mais disto não é grande. E como o universo DC não tem sido muito eficaz no encadeamento de histórias, talvez o visionamento possoa esperar uns meses, até chegar à televisão. Filmes Filmes 2022 Nuno Reis