Boston Strangler Nuno Reis, 15 de Maio de 202311 de Agosto de 2025 Na era do sensacionalismo, abundam filmes sobre crimes, vítimas e criminosos. Os mais facilmente produzidos são aqueles que se tornaram mediáticos. Cada notícia sensacionalista durante meses e anos, contribui para a promoção do filme sobre esse evento. No entanto, também traz muitas expectativas e mais opiniões. As pessoas não ouvem todos os factos, imaginam detalhes, acreditam em boatos, e no final, criam no seu imaginário algo diferente da realidade. Por isso é que o cinema, e em especial a televisão, se tentam inspirar em crimes verídicos, mas acrescentam alguma liberdade criativa. Assim nem as pessoas sabem o que vai acontecer, nem os argumentistas estão presos à verdade. O caso do Estrangulador de Boston pode ter sido importante na sua época e na área, mas no resto do mundo 60 anos depois, não tem fama. Estávamos perante um simples filme sobre um qualquer criminoso, com a vantagem de ser sobre um jornal de Boston (com enorme reputação desde “Spotlight”) e de ter Keira Knightley a interpretar uma mulher à frente do seu tempo (o habitual). A trama acompanha Loretta McLaughlin (Knightley), uma jornalista em busca de uma oportunidade na imprensa séria. O editor (Chris Cooper) até confia nela e quando surge um possível assassino em série deixa-a investigar, mas exige que seja acompanhada pela veterana Joan Cole (Carrie Coon). Numa década dominada pelos homens e onde o lugar da mulher era na cozinha, terão o que é necessário para serem levadas a sério e extrairem informação melhor que os detectives? O visionamento do filme começou como qualquer outro com Knightley. Sabemos que não interpeta uma qualquer. A sua Loretta será alguém importante. Passada a fase de conhecer a época e as personagens, começamos a entrar nos detalhes do crime e nas diferenças entre investigar um crime dito normal (meios, motivo e oportunidade) para crimes em série, em que nada faz sentido. Vemos as primeiras definições de modus operandi, de vitimologia… Em suma, uma prequela do que “Criminal Minds” nos foi ensinando todos estes anos. Passado esse momento e com o filme a entrar em território familiar, começa a ficar monótono. Por sorte o criminoso é tudo menos convencional e o espectador é convidado a explorar as pistas numa tentativa de perceber afinal quem será o responsável. Tudo sem impressões ou ADN. É um filme que se vê bem, ainda que algo longo. Loretta não traz nada de novo, mas Jean é uma presença interessante. Com conselhos de quem já passou pelo mesmo e sabe o que é ser mulher num mundo de homens. O filme podia ter corrido mais alguns riscos, mas o realizador Matt Ruskin não quis fugir ao que sabe. Ficamos com um produto que foi lançado na Hulu e que terá o seu público entre os aficionados do true crime, que o procurarão especificamente de forma regular, mas que não consegue chegar às massas. Filmes Filmes 2023 Nuno Reis