Sasquatch Sunset Nuno Reis, 15 de Setembro de 202423 de Outubro de 2025 “Sasquatch Sunset” é um filme que, logo no título, promete algo fora do comum. Realizado pelos irmãos David e Nathan Zellner, não é um filme de terror convencional sobre o Pé Grande, mas sim uma imersão quase documental na vida de uma família de Sasquatches. Uma mistura de observação antropológica, comédia de costumes e uma meditação melancólica sobre a existência de todos os seres. O grande elemento diferenciador do filme é ser contado inteiramente do ponto de vista dos próprios Sasquatches. Não há humanos em cena. Não há um narrador. Nâo há sequer uma legenda além da informação sobre a estação do ano. Esta opção radical força o espectador a uma forma de observação mais complexa. A uma interpretação pessoal do que se está a passar. A uma experiência de visionamento intransmissível. E por muito corajoso que isso seja, não é fácil prender um espectador desta década (com grande défice de atenção) a um documentário sem diálogos. Os atores que dão vida aos animais incluem Jesse Eisenberg e Riley Keough, mas, com tanta máscara, poderiam ser quaisquer outros. Comunicam através de grunhidos e linguagem corporal e são perfeitos animais. A total ausência de um elemento humano activo torna credível que os actores tivessem passado meses isolados do mundo nos seus disfarces para tornar o filme mais real. Mas isso não aconteceu. Foi um filme como qualquer outro. Com muito tempo de caracterização, certamente, mas nenhuma história extraordinária. E qual o resultado final de um falso documentário sobre um animal fora de moda que tenta ser tão inesperado e louco que se aprecia como comédia? Precisava da duração para ter um fio narrativo, mas não funciona como longa. A novidade esgota-se em poucos minutos. A vida pacata das criaturas não cativa. As poucas situações hilariantes perdem-se no meio do nada que é a vida de um animal da floresta. Funciona como exercício de estilo. Teria sido uma curta divertida e certamente a versão de 5 minutos (“Sasquatch Birth Journal 2″) foi uma boa forma de conseguir apoios para a longa. Mas neste formato não funciona de todo. Meia hora seria o limite suportável. O maior problema do filme foi chegar fora de tempo. A moda do Sasquatch teve uma fase bem forte há cerca de 25 anos, mas já desvaneceu e um filme tão pouco polémico não a ressuscita entre pessoas que nunca apreciaram a criatura do folclore norte-americano. Talvez alguns momentos permaneçam no inconsciente nas horas e dias depois do visionamento, mas como parte de um festival de género não convence. Filmes Filmes 2024 MockumentárioMOTELx 2024Nuno ReisSasquatch