Z-O-M-B-I-E-S (TV 2018) Nuno Reis, 1 de Agosto de 202523 de Outubro de 2025 Se pesquisarem pelas palavras “zombies” e “cheerleaders”, vão surgir imensos filmes. Tanto no título como no conteúdo. Essa é uma combinação deveras interessante. Profissionais do grito a serem perseguidas por uma muito válida razão para gritar. Ou a serem as perseguidoras. Mas em termos de visualizações, há uma saga que não tem concorrência. Falo da “Z-O-M-B-I-E-S” no Disney Channel que tem sido um sucesso desde que saiu o primeiro em 2018. Com o lançamento do quarto filme desta saga, decidi investigar o motivo de tal sucesso. Ver na ficha do primeiro filme que está classificado para 9 anos fez-me reconsiderar várias opções de vida. Já vi vários musicais com zombies – e até gostei – mas para crianças? Ou alguém ficará profundamente desiludido com os zombies, ou várias crianças vão ter um motivo válido para fazer terapia por vários anos. Mas como tinha Meg Donnelly, que sempre achei subaproveitada em “American Housewife”, seria importante ver o que a jovem faria com um protagonismo. Os primeiros minutos do filme fazem-me apostar na terapia. Os zombies estão bem e recomendam-se. Se não fosse em animação, os pesadelos não demorariam. Mas quando a narrativa do filme arranca, percebo que estou errado. São zombies simpáticos, como em “Fido” ou “Warm Bodies”. Não traumatizam as crianças ainda que os apreciadores do terror possam manter a prudência. Mas depois de uma fase de saturação (por culpa do sucesso de “The Walking Dead”) qualquer novidade merece uma oporunidade. A história acompanha Zed, um zombie adolescente que vai estar no primeiro grupo com direito a ir para a escola depois de décadas de segregação. Ele está muito optimista com esse progresso e quer ser jogador de futebol americano. Addison é uma adolescente humana que também vai entrar na escola e sonha em ser cheerleader. Como o seu primo já lá anda (e capitaneia o grupo) ela sabe o que esperar. Dois jovens cheios de sonhos. Uma vida de oportunidades pela frente. Tudo corre bem… até que o alarme zombie toca. Fiquei deveras surpreendido com a qualidade das músicas e das coreografias. E a isso tenho de juntar o guarda-roupa. A escolha de tons foi muito cuidada e ajuda a distinguir as duas castas, mas também a induzir tranquilidade ou agitação. E o detalhe de haver acessírios e indumentárias obrigatórias para os ostracizados dá uma menssgem aos adultos sem traumatizar as crianças. Muito inteligente. A narrativa também se desenrola com um ritmo adequado ao público-alvo. Não tem grandes surpresas, mas foi bem pensada e constrói aos poucos um filme acima da média. Em especial o detalhe de cada um ter um pequeno segredo que os ajuda a sair do convencional e a perceber melhor o outro lado. São os já excluídos (ou muito susceptíveis a isso) os primeiros a ver o mal que isso faz e a querer aceitação para todos. As personagens, por muito estereotipadas que sejam, são convincentes, em especial os protagonistas e a pequena Zoe. Já antecipava que Donnelly seria convincente, mas Milo Manheim está ao mesmo nível. São ambos incrivelmente carismáticos e aguentam as suas cenas com tranquilidade, mesmo enquanto cantam e dançam. E apesar de terem estilos levemente diferentes, sentimos a química entre eles desde o primeiro momento. E o clip de “Someday” foi dos melhores momentos musicais que vi em muito tempo. Sim, é um filme para crianças. Sim, é musical. Sim, tem cheerleaders e zombies. Mas é muito mais do que isso. É um filme que ensina os conceitos de segregação e preconceito de forma simples. Ser humano pode ser normal, mas devemos sempre ouvir o outro lado antes de tirar conclusões. E para quem é o estranho, sejam vocês mesmos. Vão precisar de alguns aliados e de muita paciência, mas um dia chegará em que todos podem viver em harmonia. Pelo menos no mundo dos contos de fadas. Filmes Filmes 2018 Disney ChannelNuno Reis