The Mist (2007), por Nuno Reis Nuno Reis, 3 de Agosto de 202523 de Outubro de 2025 O nevoeiro é um fenómeno natural que nos acostumamos a ver. Nem pensamos nessa palavra, a não ser para ligar uns faróis especiais para o efeito. Já a palavra neblina, tem todo outro encanto. Um significado místico. Especialmente na palavra inglesa. E quando dão uma palavra destas a alguém como Stephen King, o resultado só pode ser incrível. Mas como pode um filme aproximar-se da obra literária quando tanto se fica a dever à capacidade criativa da mrnte do leitor? Por sorte essa missão estava nas mãos de Frank Darabont. A narrativa tem lugar no Maine. Uma forte tempestade tempestade causa vários danos das propriedades e os moradores correm ao supermercado para provisões. Até que uma neblina começa a cobrir o parque. E algo se esconde na neblina… O supermercado pode ter mantimentos para aguetnarem uns dias, mas algum dia terão de sair e enfrentar algo pior que a escuridão. O elenco era vasto e tinha vários nomes sonantes que eram ou entretanto se tornaram sonantes. Interessante que vários acabaram por ser mais da televisão que do cinema. A história no entanto divide-se entre algumas facções. De um lado os racionais, representados em Drayton, um artista a tentar proteger o filho. De outros os cépticos que não receiam a humidade extra. De outro o fanatismo religioso de Carmody, que brada aos céus a chegada do Julgamento Final. Alguns moradores que vão tentar decidir com base na informação disponível no momento. Os funcionários, que se sentem mais confortáveis com o espaço envolvente e estão familiarizados com protocolos. E até alguns militares cuja licença acaba de ser cancelada devido a fenómenos urgentes imprevistos. Ainda que se esperasse mais dinamismo, iniciativa e liderança destes últimos, acabam por ser elementos quase inúteis, deixando as decisões nas mãos de quem quer sobreviver. E o filme, que era suposto ser de terror, depressa se torna um retrato da condição humana, com o seu melhor e o seu pior. As criaturas da neblina não são uma ameaça quando comparadas com o ser humano. Esse sim é capaz do pior em qualquer situação. Os actores estão muito bem. Ainda que algumas personagens pudessem ser mais complicadas, os vários actores competentes fazem um espectáculo com o pouco que lhes é dado e evitam os lugares comuns. A tensão é incrível. Os efeitos visuais, cumprem o seu dever. O trabalho de câmara num espaço fechado está impecável. A banda sonora especialmente no clímax faz grande parte do trabalho. Mesmo em televisão é um filme que prende o espectador e cumpre a missão. Filmes Filmes 2007 Fantasporto 2008Nuno Reis