Something Borrowed (2011) Nuno Reis, 9 de Agosto de 202527 de Outubro de 2025 Há dias este filme passou na televisão e fiquei surpreendido por duas coisas. A primeira: como ainda não o conhecia. A segunda: ser bem melhor do que esperaria. E ao preparar este texto ainda descobri que andam a pedir uma sequela desde então! Todos sabemos que as comédias românticas são um género que não sai de moda. Na altura deste filme tinhamos tido uma década recheada de títulos do mesmo género: comédias que para fugir ao convencional adicionavam algum drama.E por acaso Kate Hudson reinava nesse nicho. Neste filme ao seu lado está Ginnifer Goodwin, também com uma carreira sólida em todos os géneros aqui misturados. E isso responde a ambas as surpresas. Se não o conhecia, foi porque na altura parecia ser só mais um. E não é só mais um, porque traziam uma década de experiência no género e estatuto para rejeitarem argumentos inferiores. A extrovertida Darcy (Hudson) e a introvertida Rachel (Goodwin) são melhores amigas desde sempre. Darcy parece ter uma vida perfeita e namora com Dax (Colin Egglesfield), que foi colega de Rachel. Enquanto o par planeia o casamento e a sua vida a dois, Rachel que continua solteira procura uma forma de se afirmar e Ethan (John Krasinski) tenta ser o suporte e guia que ela precisa. Pelo meio, existe um enorme segredo que afecta a vida de todos. Enquanto Hudson parece fazer o mesmo de sempre – levemente louca, egocêntrica e até arrogante – nota-se que está diferente. Cai em alguns exageros, mas não cansa. Já Goodwin, leva o filme em ombros com tranquilidade. Tem um leque de emoções bem potente, expressões faciais no ponto, e seja felicidade, tristeza ou desespero, dá vida à personagem. Tenho acompanhado a carreira da actriz desde 2003 e para mim este foi o seu melhor papel. Uma nota ainda para a terceira actriz do filme. Ashley Williams que é uma cara muito familiar, mas nunca a estrela (a não ser que contemos com os vários filmes Hallmark onde entrou), tem aqui liberdade para fugir ao convencional e é uma lufada de ar fresco. Concentrar a história nas duas amigas podia ser cansativo. Com uma terceira presença ocasional dá espaço para absorver e pensar no que se está a passar. Do lado masculino é quase o oposto. Egglesfield também tem aqui um dos seus melhores papéis. Não tem grande amplitude, mas tem um desempenho poderoso. Em segundo plano temos Krasinski que não foge ao seu registo de então. Na altura era a estrela de “The Office” e o que faz aqui é muito semelhante: um observador atento e mais sábio que os à sua volta, disposto a partilhar o comentário certo no momento certo. A personagem podia ter sido melhor desenvolvida, mas aí talvez o filme ficase demasiado longo. E depois há ainda Steve Howey a ser também aqui o terceiro elemento para alívio cómico. Tive de ir ver quem tinha escrito isto e o livro de Emily Giffin foi adaptado a cinema por Jennie Snyder Urman, uma argumentista televisiva que fez aqui a sua única incursão no mundo da grande tela. Talvez seja esse o segredo. Em televisão é preciso saber onde cortar e como prender o espectador. A adaptação por Luke Greenfield foi realmente muito feliz. Filmes Filmes 2011 AmizadecasamentoNuno ReisTraição