Wicked Nuno Reis, 10 de Dezembro de 202417 de Janeiro de 2026 Como tornar o pouco em muito. O musical Wicked tem um estatuto especial. Todos conhecem o nome, as suas estrelas fizeram carreiras músicas amplas, e tem uma música sublime de imensa dificuldade que dispensa aprresentações. No entanto, é basicamente isso. Fora do público que realmente viu a peça, ainda era visto como “outra versão de “O Feiticeiro de Oz”. E musicalmente, não tinha o reportório de outras peças. Era o musical de “Defying Gravity”. Anunciarem que seriam adaptado em duas partes quando a versão Broadway tem duas horas e meia podia fazer algum sentido. Mas a primeira parte tem essa mesma duração e deixa quase tudo por contar! Um enorme trunfo do filme foi Ariana Grande ter exigido entrar. Ela sonhava ser Glinda e devido ao seu alcance vocal e créditos suficientes de interpetação era a opção inquestionável. Quem poderia competir com ela? Para Elphaba a escolha recaiu numa mais discreta Cynthia Erivo que também tinha alguns créditos e voz para a personagem central da história. As duas estrelas com um estilo próprio assumiram a rsponsabilidade de tornar Wicked popular para uma bova geração, fizeram a promoção devida em tempos de TikTok, e prepararam-se para fazer história. A trama acompanha duas estudantes de magua em Shiz. Galinda, é a típica rapariga popular vinda de dinheiro e privilégio. Elphaba é filho de um governador, mas é verde pelo que os seus dotes sociais são limitados. Está acostumada a ser ignorada e prefere isso a dar nas vistas. Devido a algumas voltas do destino, acabam a partilhar o quarto, acabam por se tornar amigas, e depois cai-lhes nos ombros a responsabilidade de salvar Oz. Este primeiro capítulo fica-se pela parte de se conhecerem e identificarem a ameaça. Expande um pouco a história original, focando-se na questão política. Imfelizmente demasiado relevante nos dias de hoje. A Cidade Esmeralda está lentamente a retirar direitos aos animais, proibindo-os de ensinar. Querem ir ainda mais longe, tirando-lhes a voz e fechando-os em jaulas. O plano é criar um inimigo comum, uma distração que tire o foco dos outros problemas. Todos comprometem os seus direitos quando a segurança está ameaçada. A realidade ensina-nos isso demasiadas vezes. Erivo acaba por ser o centro da história. Alguém com um potencial imenso, mas medo de se mostrar. Tem no rosto pintado todo um leque de emoções. Grande, numa personagem discreta e de quem queremos não gostar, é vistosa, mas nada mais. A solo não convence. O duo, é outra história. Aí temos química, temos harmonia, temos a faceta cómica de Grande (que conheciamos de SNL) em evidência. Nem reparamos que o elenco inclui Michelle Yeoh e Jeff Goldblum! Entre cores e som, o filme foi feito para ecrã gigante. Sâo duas horas e meia à espera de ouvir Defying Gravity”. Termina numa nota alta, mas sabe a pouco. Um ano de espera para saber o resto é demasiado. E em televisão terá menor impacto. Por se passar num mundo que já conhecemos e deixar o desfecho para depois, é como aqueles episódios do meio numa trilogia que apenas servem para ligar os dois bons filmes. Também já podem ler a crítica à sequela . Filmes Filmes 2024 AnimaisBruxariaMulher forteNuno ReisPolíticaUniversidade