Born to Ride (1991) Nuno Reis, 13 de Agosto de 202525 de Outubro de 2025 Nos anos 80, John Stamos era O sex symbol. Alguns anos na televisão como parte do elenco de “General Hospital” e acabado de entrar em “Party of Five“, era difícil ligar uma televisão no EUA sem o ver. Em 1991 fez a sua segunda experiência em cinema e logo de uniforme. É importante recordar que poucos anos antes, mesmo entre a invasão de Granada e a do Panamá, tinha estreado o icónico “Top Gun“. O exército estava na mó de cima. Este filme por ter saído em plena Guerra do Golfo pode parecer uma tentativa de recrutamento, mas foi apenas pegar no tema do momento e tentar conquistar as audiências com um tema que se sabia funcionar. De forma muito adequada ao que esperavam dele, em “Born to Ride” Stamos assume o papel de ícone rebelde, como um novo James Dean. É um motoqueiro que fica cativado pela filha do coronel e a segue até uma demonstração do que a cavalaria fará na mudança de montada para veículos em duas rodas. Sendo ele um especialista no tema, mete-se na demonstração e ridiculariza todos, o que faz com que acabe na cadeia. Aí dão-lhe uma opção: ou passa um ano na prisão, ou vai ensinar o exéercito a andar de mota. Ele aceita a missão, mas não terá nenhum respeito pelas regras, fazendo-o à sua maneira. Enquanto muitos filmes de propaganda tentam mostrar quão evoluído é o exército e todos os brinquedos ao seu dispor, aqui fazem o oposto. O filme passa-se nos anos 30, e o exército está na transição de se mover por força animal, para motores de combustão. Grady não é apenas um rebelde, é a antítese do soldado. As motas dele superam as do exército. As suas acções contrariam o código, mas no final é boa pessoa e faz o que é correcto. Como filme tentou fugir das caixas. É sobre motas. É sobre a recruta. É sobre a guerra. É também um pouco de espionagem. É um pouco de tudo, mas não é nada. E por isso não funcionou. Acaba por tentar ser tudo para todos, e não se focar no público que podia ter. Stamos não desenvolve muito a personagem. John Stockwell tem uma personagem estereotipada para equilibrar. Todos os outros militares acabam por ser rostos sem personalidade ou história. E Teri Polo (também na sua estreia) não faz nada pela história. O melhor do filme ainda é a corrida/missão em que se envolvem por trazer suspense e adrenalina, mas não chega para compensar o caminho até esse momento… quando se percebe que o pouco carisma das personagens se esvaneceu antes disso. E portanto bem perto do fim usam um mapa de parede com toda a Espanha para localizar a estação de comboio a 10km… sem palavras. Filmes Filmes 1990's motasNuno ReisOperação militarrebelde