Roald Dahl’s The Witches (2020) Nuno Reis, 14 de Novembro de 202014 de Agosto de 2025 Os livros de Roald Dahl há muito que atingiram um estatuto de culto, e não só com o público infantil. No entanto, as adaptações eram sempre das mesmas obras e uma das mais icónicas, apesar de uma adaptação medianamente popular há 30 anos, andava esquecida. “The Witches” voltou este ano e fê-lo pela porta grande. O argumento é de Zemeckis e Del Toro que sabem trazer o fantástico para o público infantil, com uma mãozinha de Kenya Barris (que nos deu “Black-ish”). No elenco temos Octavia Spencer, Stanley Tucci, Anne Hathaway, e as vozes de Chris Rock e Kristin Chenoweth. A história é sobre um rapaz com muito azar. Primeiro perde os pais e vai viver com a avó. Que está doente. A seguir cruza-se com uma bruxa na mercearia. E quando foge dela, vai parar à maior convenção anual de bruxas. E para provar que as coisas nunca estão tão más que não possam piorar, tem de impedir o plano delas para acabar com todas as crianças do mundo. Spencer tem o seu carisma habitual que carrega o filme e o neto que lhe arranjaram não se sai mal. O narrador ao início é original, mas com o decorrer da trama torna-se demasiado presente e isso coloca a história no passado o que retira muita da emoção. Também as bruxas quando eram no passado tinha outra mística que ao chegar em grandes números se perde, ainda que tenha outro impacto. Aí a grande falha é que Hathaway com a sua autoridade ofusca as demais e as ridiculariza um pouco. Se na abertura uma qualquer bruxa trazia o pânico, estas 50 (número aproximado baseado no número de cadeiras da convenção) acabam por ser meros fantoches nas mãos da bruxa-mor. E o facto de um todo-poderoso demónio ser enganado por miúdos, não favorece a espécie. Mesmo que o objectivo fosse não traumatizar as crianças na plateia, algumas cenas esquecem esse requisito. Com efeitos especiais adequados na caraterização e personagens CGI muito activas, é um filme que tenta modernizar o clássico esquecido. Desnecessário e infeliz, mas se for para ver sem comparar até funciona. Também a nível de moral volta a esquecer-se de quem está a assistir, mas fica como recado para os adultos. Em suma, é um filme que despertou curiosidade em muitos, mas que durante o visionamento se percebe que ninguém pediu. Anda perdido entre ser para crianças e para adultos, e por muito que tente ter graça, se esqueceu de modernizar um pouco a história. Pode ter lugar no passado, mas até em estrutura parece vir outra era o que não ajuda. É para ver uma vez e esquecer logo em seguida. Ainda que uma bruxinha possa visitar os pesadelos. Filmes Filmes 2020 Nuno Reis