Goodbye Christopher Robin Nuno Reis, 4 de Outubro de 201727 de Outubro de 2025 Toda a gente diz que alguns filmes, de tão maus que são, deviam ser proibidos. Infelizmente gostos não se impõem e cada um é livre de ver o lixo que quiser. Mas o contrário é capaz de ser aplicável. Filmes tão bons que todos deviam ver. E este estará na lista. Saio desta sessão de coração cheio como há muito não acontecia. Estamos perante um filme que não pega em efeitos ou histórias mirabolantes para nos encantar. Apenas a capacidade imaginativa de um homem destroçado que foi capaz de fazer o mundo inteiro sonhar. Esta é a história de Alan (A. A.) Milne, um dramaturgo de relativo sucesso que escondia o trauma pós-traumático de quem combateu na Grande Guerra. Toda a sociedade estava destruída pela guerra. Não eram apenas as vidas perdidas e as ruínas onde antes estavam casas e fábricas, era o fim de uma era de paz e prosperidade. A esposa dele, Daphne também estacva afectada, ainda que o demonstrasse de forma diferente. Mas quando o seu filho nasce rapaz, ela fica incapaz de o amar, pois isso significa sofrer quando ele tiver de ir para a guerra. Alan tranquiliza-a que combateu “a guerra para acabar com todas as guerras”, mas ela sabe que não é assim tão simples e, no fundo, Alan concorda. Portanto quer usar o seu dom, da escrita, para convencer a humanidade a resolver as disputas de uam forma não violenta. Extinguir a guerra por decreto como fizeram à escravatura, our por conhecimento como com as doenças. E ainda que não o saiba, vai fazer precisamente isso. É que esse menino acabado de nascer não é senão Christopher Robin que terá sido o rapaz mais famoso até à chegada de um feiticeiro. Os Milne foram para o campo em busca de sossego, para evitar sons que despoletassem o trauma. Mas uma criança em crescimento, a fazer perguntas e com muito para explorar, é um desafio para qualquer pessoa que queria trabalhar de casa, independentemente do século. Só que sendo o pai um escritor, cada pequeno evento é uma inspiração. Cada pergunta dá origem a uma história. Quase sem dar por isso, está a escrever diariamente aventuras de Christopher Robin, Winnie the Pooh, Tigger e todos os outros numa floresta em que as abelhas fazem mel. Um pequeno conto torna-se um livro. Depois vem outro. Subitamente está em digressões e o filho é o herói de milhões pelo mundo fora. O que faz isso pela paz mundial? Essa conversa tem lugar quase no início do filme. Aqueles de quem nos lembramos, não morrem. E os soldados nas trincheiras da Segunda Guerra Mundial, além de serem quase crianças, são as crianças que poucos anos antes leram esses mesmos livros. Que tiveram uma infância feliz e recordam esses momentos. E Christopher pode ser apenas um homem franzino entre milhões, mas foi mais do que a inspiração de todos à sua volta. Foi quem os fez acreditar num lugar melhor. O filme diz as coisas certas nos momentos certos e deixa por dizer o que não precisa de dizer. Não precisa de apresentar as personagens que já todos conhecemos. Conta-nos por isso a história que não conheciamos. Como é possível educar um filho sem o amar. Como é fácil uma amostra de indivíduo tomar conta do coração. Como os pais se podem deixar deslumbrar pelo sucesso, mesmo que já o conhecessem. Como é possível falhar ao mesmo tempo que se faz a coisa certa. E como é fundamental perdoar. Se o mundo tivesse mais livros mágicos as guerras não fariam sentido. Quanto ao filme, o único reparo é que a caracterização para envelhecer as personagens não está convincente. Mas estes actores fenomenais não precisam disso para nada. Filmes Filmes 2017 FamafamíliaLivroNuno ReisSegunda Guerra MundialWinnie the Pooh