Best Wishes to All Nuno Reis, 22 de Janeiro de 202630 de Janeiro de 2026 Depois de tinha de ver a outra obra de , “Best Wishes to All”. Por sorte, apesar de ser 2023 e de ter estreado em sala em 2024, só chegou aos EUA no ano passado pelo que tive a oportunidade de assistir como se de uma novidade se tratasse. A história revolve em torno de uma família aparentemente normal. Os pais levavam a filha a ver os avós de vez em quando e estes perguntavam sempre “és feliz?”. Algo tão banal e a que se responde de forma autónoma e de forma inconsciente sem pensar. Para uma criança até pode ser fácil dizer que é feliz. Mas um adulto saberá reconhecer quando é feliz? Esse é o mote para tudo o que vamos ver a seguir. Quando, anos depois, a neta termina os estudos e vai visitar os avós sozinha pela primeira vez, começa a notar algumas coisas estranhas. Até que percebe que a felicidade que lhe desejavam, pode ter um preço demasiado alto. Há duas coisas fundamentais sobre este filme que é importante referir logo no início. A primeira é que não é o típico J-Horror. Apesar de ao início se assemelhar e ter os ingredientes todos disponíveis (uma divisão fechada, um soalho que range) nunca entra no terror que esperaríamos. Vai contra várias das regras e segue o seu próprio caminho. Mas próximo do mistério durante quase uma hora, e depois o terror mistura-se com a crítica social. A segunda coisa é que sendo a protagonista da história uma enfermeira, não parece muito atenta aos vários sintomas que os avós apresentam. A primeira impressão que alguns dos comportamentos transmitem (parar a meio do corredor, os sons que fazem) é que tenham inícios de demência. Mas é certo que algo se passa. A escolha da carreira de enfermeira assim como uma cena vista na viagem sugerem que ela (não há nomes neste filme) gosta de ajudar. É uma pessoa amável, bondosa e que se preocupa com o próxima. No fundo, vai construindo tensão e preparando o terreno para a fase seguinte. Quando o segredo está fora e se percebe a verdadeira dimensão dos eventos que ela descobriu, esperava-se uma mudança de ritmo. Muda um pouco o formato, mas nunca o ritmo. Opera num nível mais mental do que visual e o mero grotesto supera o terror. Até por vezes insere algum humor para confundir. É um filme metafórico sobre envelhecer e sobre responsabilidades. Sobre as dificuldades em ser feliz, algo que desejamos a (quase) todos, mas que não sabemos como chegar lá. Tal como fará de forma diferente em , o realizador não se preocupa em seguir as regras. Consegue trazer uma história original, vários segmentos chocantes, e algumas ideias que assombrarão as pessoas mais influenciáveis. Filmes Filmes 2024 famíliaNuno Reissegredo