The Accountant² Nuno Reis, 3 de Maio de 202511 de Janeiro de 2026 Há quase uma década, o discreto “The Accountant” correu bastante bem. Explorou um perfil que o cinema fazia de conta não existir, criou uma personagem fora do comum, e num misto de acção com drama e um toque de comédia, convenceu. Claro que um filme bastaria, mas alguém acordou inspirado e decidiu fazer uma sequela. Há cinco anos Ben Affleck dizia que a queriam fazer, só ainda não tinham um argumento. Uma dica: quando temos toda uma pandemia para trabalhar sem distracções e não se consegue fazer um argumento tendo as personagens… é melhor desistir. Nesta segunda parte perdemos Anna Kendrick, mas a maioria do elenco está de volta. Affleck está muito envelhecido, mas conseguimos reconhecer todos os outros. Medina contacta Wolff com um puzzle complicado. Ela pensava estar a investigar um tiroteio, mas as provas encontradas apontam para eventos muitos anos antes. Isso vai fazer a dupla improvável pedir reforços e começar a fazer uma investigação mais física. Daquelas em que alguns braços se partem e as confissões saem. Existem três grandes problemas no filme. Primeiro dão grande foco aos autistas que fazem trabalho de escritório, mas o protagonista não é nada constante. Começa igual ao que conhecíamos, mas ao longo do filme muda demasiado. Arruinam o que o filme tinha de diferente. Só há uma referência decente a contabilidade, o resto é matemática (ainda por cima são repetições do primeiro filme) e dizer que tem dinheiro. A segunda grande falha é que não há um fio condutor. São demasiadas coisas ao mesmo tempo – imensas delas com pouca justificação ou sentido – e que se acumulam em vez de se entrelaçarem. O filme em vez de cativar, aliena. Uma regra básica para quando se faz duas horas de história, é que é preciso organizar as ideias antes de as filmar. Ao fim de meia hora já abusa e não melhora. O terceiro problema é o excesso de acção. Tem muitos momentos com excesso de violência. O aspecto positivo disso é que Jon Bernthal está nas suas sete quintas. Com humor, presença física, e conforto no meio da violência, era o que o filme precisava para esta faceta desnecessária. O entrosamento com Affleck é rápido e são uma equipa letal. No final a única coisa que temos é violência. Bem feita, mas desenquadrada do que se esperava. É incrível como conseguiram fazer um filme tão diferente mantendo argumentista, realizador e elenco. Pelo menos agora sabemos que se alguém sugerir uma terceira parte, dizem logo que não. Filmes Filmes 2025 famíliaNuno ReisThe AccountantVingança