Haunted Heart Nuno Reis, 10 de Janeiro de 202523 de Outubro de 2025 Pode ser Janeiro, mas o pior filme do ano já parece estar decidido. Admito que o cinema espanhol tem algumas características que o tornam não só ímpar, mas um gosto adquirido. E Fernando Trueba não foge a isso. Até acrescenta um toque pessoal que pode não agradar a todos. Entrei para este visionamento sabendo que ia ser diferente. E foram quase duas horas de arrependimento. A história acompanha Álex (Aida Folch), uma espanhola que se meteu numa viagem mirabolante e recheada de azares para chegar a um restaurante grego onde teria o lugar de chefe de sala. Só que, devido aos vários atrasos, já a posição foi entregue a outro. Ela poderá ficar como empregada de mesa. Como se isso não bastasse, o restaurante é numa ilha e ela tem pavor à água. Finalmente, Max (Matt Dillon), o proprietário, é muito reservado e tem uma aura misteriosa. Sozinha numa terra estranha, Álex vai-se adaptar, vai fazer amizades, vai-se apaixonar, e vai descobrindo os segredos que Max esconde. Trueba já conhece Folch de filmes anteriores por isso é normal que lhe tenha dado mais destaque. Só que há uma coisa que me irrita muitas vezes: os maus diálogos. Aqui entre gregos, brasileiros e espanhóis, era normal que falassem um inglês com menos léxico, mas até o americano tem maus diálogos. Se a isso juntarmos uma pronúncia que em vez de ser exótica e caricatural é apenas má, o filme estava a ir por mau caminho. Dillon não me costuma convencer e por isso gosto que seja o mau da fita. É fácil não gostar dele. Estava curioso pelo que faria numa personagem mais normal. E é bastante banal. A não ser uma ou outra explosão temperamental, não serve para algo assim. Por mais de uma hora o drama arrasta-se, próximo do surrealismo que colocou Espanha no mapa, mas longe em termos de qualidade e a precisar de outro ritmo. Chega ao ponto de não ser claro se Álex vive na ilha ou no continente! Pelo menos temos um romance discreto, em que não é preciso mostrar nudez e sexo os espectador. Confiam que apenas pelos diálogos já percebemos. Pelo outro lado, também usa três referências muito específicas para dizer quando se passa e isso não era necessário. E os intervalos musicais são muitos agradáveis. Na recta final há uma mudança para o thriller que começa a melhorar, mas aí o filme acelera demasiado. Era tirar meia hora na introdução e colocar mais dez minutos nisto. Junta-se que todos os detalhes para o desfecho vão sendo dados ao longo da narrativa, mas passam despercebidos e quem se aborreceu a meio ficará com perguntas por responder. Quando chega o final temos o melhor do filme. Mas mesmo no final, quando já se levantaram da cadeira. A música dedicada a Álex é uma adaptação de “Alexandra Leaving” (original de Leonard Cohen) e foi uma excelente escolha. Claro que escusam de ver o filme todo por esses 5 minutos. É para isso que temos Youtube. Filmes Filmes 2024 GréciailhaNuno Reispassado secreto