In the Lost Lands Nuno Reis, 30 de Março de 202511 de Janeiro de 2026 Há mais de quarenta anos, George R. R. Martin escreveu um pequeno conto sobre uma feiticeira de nome Gray Alys. As pessoas pediram mais e era suposto sair uma segunda aventura, mas a resposta mais optimista foi “se o filme tiver bons resultados, publico outra” . Vendo isto, temos de ser sinceros: é mais uma saga de Martin que vai ficar por terminar. A acção tem lugar num futuro pós-apocalítico. Alys tem alguns poderes e é perseguida pelas autoridades que parecem incapazes de a enfrentar. Até que a rainha lhe pede para fazer uma coisa. Como Alys não recusa nada, contrata um mercenário como reforço e partem para as desoladas Terras Perdidas em busca de uma criatura mortífera. Como se essa missão fosse fácil, junta-se um prazo apertado e um exército que os persegue. Em parte já sabiamos ao que íamos. Argumento baseado em Martin. Realização ao cuidado de Paul W.S. Anderson e protagonismo de Milla Jovovich. Só podia estar repleto de acção, violência, e muitos elementos do fantástico. Normalmente isso tem lugar no passado, ou no presente, ou no futuro. O apocalipse é uma nova situação. E o cenário da rodagem foi um fundo verde: tudo o que vemos é virtual. Ainda que isso seja um complemento frequente aos efeitos, poucos filmes arriscam ser completamente digitais. Isso porque, além de parecerem artificiais, ficam muitocansativos. Precisam de uma narrativa bem forte para compensar. Este por momentos até engana. A última paragem antes de entrarem no vazio fazia pensar que tinha conteúdo, personagens com camadas, histórias secundárias com interesse. Mas logo depois demonstra o oposto. Começa uma sequência de acção e violência extrema, ao mesmo tempo que a narrativa se perde com floreados e fecha histórias que não chegou a abrir. Começa intrigante. Bautista como narrador é uma coisa que não se vê todos os dias. Jovovich descritsa como feiticeira, mas que não tem assim tantos poderes. À medida que os vamos conhecendo, estes heróis revelam várias falhas que os tornam mais próximos. Mas chega a um ponto que já estamos do lado deles, nem nos interessa quem completa a missão. Também a sociedade que só vamos percebendo aos bocados – jogos políticos, força da religião, opressão do povo – tinha imenso potencial que é desperdiçado. O resultado final é, infelizmente, uma obra muito triste que falha em quase todos os aspetos, deixando-nos desinteressados muito depressa e arrastando-se por mais tempo do que devia. Não sei como poderia ter sido melhor adaptado (demoraram muitos anos a tirá-lo do papel) mas por vezes o melhor é mesmo ficar quieto e deixar a obra literária existir sozinha. Filmes Filmes 2025 BruxariaMundo pós-apocalipticoNuno Reis