Weapons Nuno Reis, 25 de Outubro de 202524 de Outubro de 2025 Um dos filmes mais falados do ano chegou ontem ao streaming. Isso é uma oportunidade para o ver se na altura do lançamento o título não convenceu. O original “Weapons” foi trocado por “Hora do Desaparecimento” na maioria dos países de línguas latinas. Seguiram a estratégia do marketing que se focou na hora 2:17, e deixaram cair o título quase metafórico de Armas. É mais apelativo, mais misterioso, mas muito difícil de associar ao original. A trama começa de forma muito empolgante. Uma turma quase inteira de crianças desaparece a meio da noite, cada uma de sua casa, exactamente no mesmo minuto. A grande suspeita deste truque digo do Flautista de Hamelin, é a professora. Quem mais poderia ter influenciado quase vinte crianças a levantarem-se a meio da noite a a caminharem para parte incerta? E portanto, vamos ver o que se passa durante esse mês com a professora. E também com o aluno que não desapareceu, com o pai de uma das desaparecidas e mais algumas das personagens da vila. “Weapons” começa com essa ideia bem invulgar. Depois entra no género dramático com uma qualidade acima da média. Tem um bom desenvolvimento das personagens, sempre com um toque de estarmos num sonho. E à medida que vamos mudando de perspectiva, vamos tendo mais detalhes, o ritmo acelera, e precipitamo-nos para um desfecho inacreditável. Tem a coragem de uma pequena produção, com o elenco e o orçamento de uma grande. E o argumento dá a devida atenção e história a cada personagem, não as descurando como insignificantes. Vemos sem saber se cada uma é o herói que as encontra ou o vilão que as levou. Entre essas mini-histórias temos drama intenso, humor negro de grande nível, vários elementos sobrenaturais e momentos pacatos da vida diária. Temos desde pequenos arrepios bem pensados a scary jumps de qualidade. Tudo com um cuidado que faz do filme uma experiência muito agradável. Mesmo tendo mais de duas horas, as disperções entre personagens e géneros fazem parecer mais curto. Desilude quem ia pelo terror puro, mas por fugir às regras de um género funciona a vários outros níveis. E esconder crianças é algo muito eficaz, mesmo que seja rapidamente deixado para segundo plano. Como ponto contra, existem referências a armas que não eram necessárias. Servem para despistar o espectador quando este já estava perdido o suficiente. O segundo significado de armas que nos é dado é forte o suficiente. Em tudo o resto, “Weapons” é uma referência. Um dos poucos filmes de terror bons a estrearem este ano e um dos poucos filmes que ainda arrisca fazer diferente e fugir às velhas ideias. Precisamos de alguns assim todos os anos. Filmes Filmes 2025 Criança desaparecidaNuno Reis