Blue Beetle Nuno Reis, 1 de Setembro de 202311 de Outubro de 2025 Estamos todos fartinhos de filmes de super-heróis. Particularmente de serem sempre os mesmos em diferentes sequelas, prequelas, spin-offs, reboots e diferentes parcerias com outros heróis. A chegada de uma personagem quase desconhecida – e deste século! – era a frescura que a DC estava a precisar. Mas não pensem que é uma personagem nova. A adaptação é sobre a terceira incarnação de um herói com mais de oitenta anos. Apesar de todas as versões do Blue Beetle terem detalhes apelativos, o do século XXI foi dos poucos heróis DC a encaixar na categoria da diversidade. Devido ao seu estatuto de desconhecido, com pouco esforço chegaria ao primeiro patamar sem grandes críticas. E portanto o tele-filme teve uma oportunidade em cinema. Jaime Reyes acabou os estudos e volta a casa onde descobre que lhe andaram a esconder vários segredos. Ele espera conseguir um bom emprego e ser o salvador da família, mas a realidade é um pouco mais agreste. Acaba a fazer limpezas na mansão de Victoria Kord. Isso leva-o a conhecer Jenny Kord, o que despoletar uma série de eventos que fazem com que um escaravelho alienígena se aloje no sem corpo, dando-lhe super-poderes. Mas Jaime não tem tempo de ser o herói local que Blue Beetle foi, pois a corporação malvada mandou um exército privado em busca dele logo no primeiro dia. Apesar dos receios, “Blue Beetle” até começa bem. Tem uns toques de humor a fazer lembrar “Shazam” que foi um bom exemplo de como pegar em conteúdo secundário e fazer um filme funcionar. Os estereótipos mexicanos não abusam e o elenco é competente. Quando entramos no esconderijo do herói, tem tudo para criar um mito duradouro. E é quando deita tudo a perder. Começa a ser tudo sobre a família. Até enjoa. O herói, o vilão e ser a reencarnação de um herói anterior encaixam muito no que vimos há uma década com Ant-Man. O fato simbiótico com instinto matador vimos em Spider-Man. Temos uma ou outra personagem com momentos de humor, mas não chega para salvar o filme. É pena, pois a porta que deixa aberta para sequela – apesar de também não ser nada original – tinha potencial. Xolo Maridueña safa-se muito bem. Tem carisma. O protagonismo em “Cobra Kai” foi suficiente para aguentar um filme sem dificuldades. Já Bruna Marquezine deixou escapar as suas origens brasileiras ao tentar falar espanhol, mas faz o que pode com uma personagem que ainda mal começou a contar a sua história. Nos restantes, há muitos exageros, mas não comprometem. O filme talvez tivesse mais sorte caso se mantivessem com o plano original de fazer para streaming. Em cinema, parece estar condenado à partida. Filmes Filmes 2023 Nuno Reis