Death of a Unicorn Nuno Reis, 15 de Setembro de 202526 de Dezembro de 2025 Antigamente o Unicórnio tinha um significado mágico. Apesar de ser o animal oficial da Escócia pelo que representa, era visto como um mito de uma forma geral. Agora é tão usado como metáfora de algo raro ou especial que se banalizou. As empresas querem ser um unicórnio, querem contratar funcionários unicórnio… Se a opção existisse, de certeza quereriam ter um unicórnio no jardim. Ou talvez usá-los para fazer entregas e impressionar os clientes. Neste filme fazem algo ainda pior, tratam como um simples pedaço de carne. Elliot vai a uma importante reunião no meio do nada com o fundador da sua empresa, tendo em vista uma enorme promoção. Com ele leva a filha contrariada, para mostrar a sua família e explorar a tragédia da morte da mulher como prova da sua resiliência e dedicação. Só que na viagem atropelam um unicórnio que escondem apressadamente na mala. E lá seguem com uma criatura mágica no prota-malas para a reunião com o moribundo CEO de uma empresa farmacêutica que vê imenso potencial nas propriedades mágicas da lendária criatura. Esta frase pode causar arrependimento muito depressa, mas usar a palavra “unicórnio” no título de um filme foi excelente ideia. Enquanto forem poucos, é como uma fórmula mágica. Juntar como tema a morte de um unicórnio, é como dizer que se vai espancar gatos bebés com focas bebés. As pessoas ficam horrorizadas e falam disso, mas como os unicórnios não são reconhecidos como um animal real, ninguém pode criticar o filme ou pedir um boicote. Foi um pouco como a caça aos dragões em “How to Train Your Dragon”. Funciona porque é globalmente aceite que é ficção. Já caçar o Yeti ou o Sasquatch seria mais complicado porque “não há provas conclusivas” da sua não existência e é antropomórfico. Agora, não comecem a fazer cinco filmes por ano sobre unicórnios como fazem com vampiros, lobisomens e zombies. Temos um limite razoável! Em “Death of a Unicorn” Paul Rudd começa por impressionar nesta personagem tão diferente da habitual. Um homem sóbrio e sério, parcialmente alheio aos deveres familiares, ou que pelo menos relega o presente para segundo plano por estar focado no futuro. Intriga ao início e sai da sua zona de conforto, mas depois desilude. Não era a cara certa para aquilo. Já Jenna Ortega como filha encaixa nos clichés e não tem nenhuma explosão de talento. Podia ter sido qualquer par de nomes genéricos a fazer estes papéis. O mesmo pode ser dito dos milionários. Richard E. Grant tem uma boa transformação, Will Poulter é mais discreto, mas também muda. Mas a escolha de Téa Leoni foi perfeita. Mesmo sem mudar quase nada ao longo da narrativa, tem uma presença majestosa e imponente. Uma nota para a escolha de Anthony Carrigan. Parecia ser apenas um empregado anónimo/brutamontes, mas tem oportunidade para expressões faciais com deve ser. Os restantes sim, são “carne para canhão”. A narrativa é promissora. Começa sem pressas, vai deixando a tensão subir. Quando é revelado o segredo e as suas potencialidades medicinais não caem na armadilha de repetir o óbvio que já se sabe. Deixam o espectador ficar chocado com outras coisas. E quando finalmente temos terror, também não reinventa. Faz o que se esperaria, num tempo talvez um bocadinho longo em demasia, mas sem brincar com voltas, surpresas, auras ou emoções. É o que é de forma muito linear e tudo o que uma pessoa normal poderia pensar ao escrever um filme dentro da temática. Aqui é como se os unicórnios fosssem os golfinhos de terra (o que é a perfeita analogia). Não surpreende, não impressiona, com sorte não vai inspirar a que façam muitos mais do género. Vê-se como uma curiosidade por ser o primeiro do género a visar o grande público. Nada mais. Filmes Filmes 2025 famíliaMOTELx 2025Nuno ReisSaúdeUnicórnioviagem em família