Tokarev (2014) Nuno Reis, 7 de Setembro de 20253 de Dezembro de 2025 Alguns actores tiveram ascensão e queda meteóricas. E enquanto alguns entraram no esquecimento por opção, para Nicolas Cage isso não era possível. Por se meter em problemas fiscais teve de começar a fazer dinheiro e ser menos criterioso na escolha de títulos. Aceitar cada vez mais trabalhos e de qualidade mais duvidosa. Por isso ver um filme com ele é sempre um risco. Pode ser uma obra de arte, ou algo para pagar as contas. “Tokarev” ainda é da fase de transição. Temos direito a ver um Cage enraivecido como ele tão bem sabe fazer que se tornou imagem de marca. Esta nova incursão do realizador Paco Cabezas nos projectos internacionais, assemelha-se muito ao convencional thriller de vingança. Paul Maguire (Cage) é um ex-criminoso de carreira que se reformou para abraçar uma vida honesta e atingir uma posição de respeito. Um dia a sua filha é raptada e ele vai utilizar todos os contactos e dinheiro – legítimos e outros – para a encontrar. As pistas são poucas o que o vai deixar muito nervoso e desesperado. Ainda que seja semelhante a vários filmes do género, e Cage em fúria ser obrigatório, o detalhe de Cage já ter interpretado vários homens de família dá outra credibilidade à personagem. Tem camadas. À medida que vamos recebendo detalhes, como a arma do crime e quem estará por trás disso, começa a ser mais fiel à receita. Tem alguma criatividade no argumento, mas o conforto de uma história que terá o desfecho que se espera. O filme sabia onde tinha de apostar para chegar a bom porto, e o protagonista aproveitou para se divertir com o processo. No elenco temos também Rachel Nichols, Danny Glover e Peter Stormare, mas apenas uns minutos de cada. Michael McGrady e principalmente Max Ryan acabam por ter mais protagonismo como os velhos amigos de Maguire, mas mesmo esses acabam por ser esquecidos. Era espectáculo de um homem só e o resto da equipa artística só marca presença para dar algum rumo à narrativa. A revelação final é um pouco surpreendente, ainda que se perca no meio da violência quase excessiva. Uso o “quase” porque quem vai ao filme sabe com o que contar. Entrega o que se pedia e bem. Podia ter ido mais longe sem nenhum problema. Filmes Filmes 2014 adolescentesfamíliaNuno ReisVingança