Hellboy: The Crooked Man Nuno Reis, 13 de Setembro de 202427 de Outubro de 2025 Quando Hellboy foi criado, no anos 90, ninguém imaginaria que estavamos na presença de um dos heróis mais acarinhados da nossa era. Mike Mignola tinha pegado na adoração dos nazis pelo ocultismo, misturado algumas lendas folk com Lovecraft, e aqui estava um filão interminável de histórias. O grande salto para a fama foi com Del Toro a fazer o filme logo em 2004. Um realizador no auge da sua fama, um anti-herói sem filtros, um universo estranho, mas ao mesmo tempo familiar. O primeiro filme foi um enorme sucesso. O segundo mudou demasiado de género e pôs-me com Barry Manilow na cabeça até aos dias de hoje. O terceiro do competente Neil Marshall supostamente ia reiniciar a franquia, mas mal se deu por ele. E eis um quarto filme que ninguém reparou que tinha chegado. Neste regresso à saga, Mignola exigiu ter uma palavra dizer. Faz sentido. É a sua obra e se ficou desiludido com as adaptações anteriores por fugirem aos seus desejos, a melhor forma de o resolver é estar envolvido no processo. No entanto, é sempre preciso ter em conta que os seguidores da novela gráfica, podem não ser os mesmos dos filmes. Esta nova mudança fez com que em duas décadas passasse de blockbuster que todos ouviram falar, para um série B que os curiosos poderão procurar quando entediados. A trama desta história tem lugar na década de 50, bem antes dos eventos que vimos previamente. No meio das Apalaches, Hellboy e uma agente novata escoltam uma criatura. Mas um pequeno acidente, faz com que eles e a carga saiam do comboio e se embrenhem num mundo isolado do resto. Os humanos são poucos, mas as criaturas são muitas. E Hellboy vai conhecer alguém que preferia não ter conhecido. O filme tem um enorme problema. Enquanto estão no comboio ainda disfarça, mas assim que chegam ao exterior, a falta de orçamento é clara. O visual do protagonista ainda está bem – fiel ao que nos acostumamos a ver – mas tudo o resto é de filme menor. Incluindo o argumento que tentou esticar ao máximo um tema sem pernas para andar. Apesar de ser o filme mais curto já lançado com este herói, é o que mais custa a passar. A história tem algum nexo, mas não cativa, não desenvolve a personagem. Se fosse numa sessão da meia-noite, seria impossível ficar acordado. Mesmo de dia foi complicado! O marketing tentou vender a necessidade de fazer uma produção low-cost como uma homenagem propositada ao estilo Hammer. Mas os filmes da Hammer tinham o seu encanto. Tinham argumentos poderosos. São filmes que marcaram a sua era e quem os viu. Já este… com sorte para a semana estará esquecido. Filmes Filmes 2024 Dark HorseHellboymisticismoNuno ReisSuper-Herói