Cats in the Museum Nuno Reis, 20 de Maio de 202511 de Janeiro de 2026 Por vezes os filmes demoram muito a estrear cá. No caso de “Koty Ermitazha“ (internacionalmente “Cats in the Museum“) a estreia demorou dois anos. E devia ter sido mais, visto que está em vigor um embargo aos produtos russos. Mas cá está ele para nos causar enorme indiferença. Vamos acompanhar Vincent, um jovem gato muito azarado. Tempestades e desabamentos fazem com que trave conhecimento com um rato de nome Maurice. Maurice é um apreciador de arte. Não como observador, é um apreciador no sentido culinário. O destino leva-os para o Museu Hermitage onde Vincent encontra o famoso batalhão de gatos que há séculos protege as obras de arte de roedores. O museu está prestes a receber a famosa pintura Mona Lisa. Conseguirá Maurice provar a mais saborosa pintura de sempre? Conseguirá Vincent cumprir a sua nova obrigação como guardião do museu sem comer o amigo? E será esse ratito a única ameaça à obra? Esta obra é a quarta saga que chega a Portugal com o título “Guardiões de qualquer coisa”. Talvez se tentasse colar ao sucesso de alguma dessas produções, mas a verdade é que levou com a fadiga de tanta ideia semelhante. E o visionamento não faz nada para contrariar isso. Vincent é um bom herói dentro do estilo pateta e imprevisível. Maurice é engraçado, mas o seu olfacto apurado e gosto requitado estão dentro do tema Ratatouille e não tem a graça que pensariam. As personagens felinas do museu são estereótipos sem um pingo de originalidade e que só conseguirão risos junto dos pequeninos. Há uma personagem feminina apenas para desviar o enredo para um romance que não acrescenta absolutamente nada à história. O melhor ainda são o vilão – louco, mas original – e um fantasma engraçado que vai passeando por lá. O início muito agitado definiu mal o ritmo para o resto. Apesar da duração ser curta (83 minutos) como a originalidade não é muita, acaba por parecer mais longo. A história é muito infantil pelo que os adultos (ou crianças maiores de seis) vão sofrer a dobrar. Só o fantasma destoa por entre temas mais do que vistos. Dois dias depois de ver “Cats in the Museum” só me lembrava dele e mesmo isso não deve durar muito. A ironia de ser um filme sobre valorizar a pintura é que, depois de ver isto, uma exposição será uma excelente opção. Em especial porque esta animação tecnicamente está dez anos atrás do que se tem visto. O lugar dela seria num museu, não nas salas de cinema. Não é que seja o pior filme de sempre como alguns comentários dizem. É apenas um desperdício de tempo que se deve evitar. Filmes Filmes 2023 GatosMuseuNuno Reisobras de arteRatos