Little Miss Psychopath Nuno Reis, 12 de Abril de 202523 de Outubro de 2025 Os filmes indie costumam ser bons para variar de um cinema com cada vez menos ideias. “Little Miss Sociopath“ chegou de forma discreta, prometendo uma comédia sobre a velhice e a morte. Era o suficiente para despertar a atenção. A trama acompanha Clem, uma técnica de farmácia que tem um leve problema com os outros. A madrasta é o principal motivo da sua sociopatia e quando esta lhe dá um único caminho possível, Clem começa a ouvir a sua malvada voz interior. Lentamente, vai-se tornando uma pessoa pior, ainda que não tenha nenhum talento para o crime. Todo o material promocional do filme tem de ser ignorado. Sinopse, trailers, mesmo algumas críticas anónimas em sites. Tudo é enganador. Referem-se a um filme que ou não é este, ou não é o produto final que foi distribuído. O início é lento, com tempo para conhecermos Clem e a sua voz interior. Há um bom detalhe que é Clem ser a comediante Jenny Tran, enquanto a voz é de Jade Williams, num claro contraste do que diz para fora e do que pensa. O início do filme mostra quão desadequada Clem é. E explica o porquê mostrando uma família imensamente disfuncional. É aí que destoa do que tinha sido vendido. Sendo indie já se esperava alguns pontos menos cuidados, mas a edição de som está muito fraca e, com o truque das vozes, é um detalhe em que se repara logo. Também o namorado varia entre ser um querido ou um basófias que ela devia despachar depressa. O outro grande problema é o argumento que demora a arrancar. Por isso quanto menos se ouvir sobre o filme melhor, menos expectativas se leva à entrada. É que dá voltas em torno dos mesmos problemas, sem progresso. Contudo, à medida que entram mais personagens e as conhecemos, o filme recupera fulgor. Surgem mais linhas narrativas e tramas secundárias que tornam tudo interessante. Até o humor fica mais refinado, depois de um ou outro precalço. Na recta final vamos receber algumas pérolas sobre a idade e a vida, mas a boa disposição é quase permanente. Então de que trata o filme? Da vida, da morte, da família. Do que é o verdadeiro amor e a versão sucedânea do mesmo que se aceita para evitar a solidão. Das decisões que definem se somos boas ou más pessoas. É um filme para fazer pensar, que se aproveita melhor se visto com calma e não em maratona. Para primeira obra de Miv Evans, não está mal. Era mesmo só conseguir dar ao resto do filme o ritmo que conaeguiu no final e “Little Miss Sociopath” podia ter sido memorável. Filmes Filmes 2025 idososNuno Reisplano falhado