The Bad Guys (2022) Nuno Reis, 16 de Outubro de 202511 de Janeiro de 2026 Ao rever os valores morais e humanos de “Dog Man”, nada como recuperar um clássico moderno sobre redenção no mundo animal: The Bad Guys. Esta animação tem a ousadia de se focar nos maus da fita habituais do mundo animal e fazer deles os protagonistas. Aliás, os heróis. Por isso adoptou um título mais simpático em Portugal do que serem vilões e ficaram apenas como “Mauzões”. A trama acompanha um grupo de bandidos muito talentoso e temido por toda a cidade. Lobo, cobra, piranha, tubarão e aranha. Obviamente são maus. Eles roubam o que querem através de planos muito elaborados ou simples medo. Até que um pequeno acaso a meio do seu último golpe faz o lobo sentir algo novo. Uma sensação que o faz abanar a cauda. Haverá algo melhor que a adrenalina de um golpe criminoso e a ganância de ter mais do que se poderá gastar? Até que duas pessoas acreditam neles. A governadora e o professor e bom samaritano que eles iam roubar. Agora, terão uma oportunidade de mostrarem que são capazes de fazer melhor. Ou uma oportunidade de se aproximarem do alvo livres de suspeitas. Depois de “Zootopia” esta cidade animal parecia demasiado repetitiva. O realizador (também em primeira viagem) tinha essa mesma noção. Apesar de ter fugido um pouco ao material original (os livros de Aaron Blabey) em termos visuais – e até narrativos – criou um filme que funciona muito bem. As influências são óbvias e a mais importante é “Ocean’s 11”. O próprio filme o diz. Enquanto os miúdos assistem a um filme muito competente e divertido, os adultos que os acompanham também podem apreciar as várias camadas secundárias. Outro belo trunfo do filme foi o elenco vocal. Ainda que o foco esteja em Sam Rockwell como Lobo ou Zazie Beetz como Governadora, Richard Ayoade como Professsor Marmalade e Awkwafina como Tarântula também são muito reconhecíveis. É que “The Bad Guys” apesar de ser uma animação com animais, é quase visto como um filme de imagem real, com todas as suas cenas a serem muito mais próximas dos exageros de um filme de acção do que do convencional filme de animação. Este elenco ajuda a tornar essa camada quase transparente. Quanto aos twists e surpresas, estão bem engendrados e servem para explicar que o preconceito é muito feio. Cada um é responsável pelas suas próprias decisões no presente, independentemente da espécie e do passado. É um dos mais competentes filmes do ano e passa no teste de ver várias vezes repetidas. Até no de espreitar quando os miúdos já desapareceram de frente da televisão para ir fazer outra coisa. Filmes Filmes 2022 AnimaisNuno Reisplano inteligenteSegunda oportunidade