Yoga Hosers Nuno Reis, 30 de Outubro de 201612 de Dezembro de 2025 Seria interessante fazer um apanhado de quem são os geeks em Hollywood. Alguns nomes surgem de forma automática como Simon Pegg e James Gunn, mas dois são ainda mais especiais pois tiveram direito a tempo de antena e eles foram Will Wheaton e Kevin Smith. No caso de Smith o amor pelos comics chegou ao ponto de chamar à filha Harley Quinn, anos antes de Nicolas Cage ser gozado por chamar Kal-El ao filho. Quem for seguidor de Smith no Facebook (algo muito recomendável) sabe que ele é essencialmente um geek que vive o sonho de fazer cinema. Quando quer revoluciona a arte (Clerks, Dogma, Jay and Silent Bob Strike Back), quando lhe pedem para ser sério faz filmes incríveis (Red State), quando pode ser indecente é-o sem pudor (Zack & Miri Make a Porno), e quando o convidam para fazer episódios das séries DC parece-se com uma criança na manhã de Natal, tirando fotos com toda a gente como se fosse um qualquer fã que tivesse fintado a segurança e não o responsável máximo pelo sucesso desse episódio em particular. Nestes últimos anos enquanto trabalha para o seu terceiro episódio das séries DC no The CW e faz filmes com Stan Lee, está a aproveitar para se divertir com a filha que não é actriz e fazer filmes com ela. Recordo que a sua cara-metade, outra não-actriz, foi uma das quatro mulheres em cabedal que Jay e Silent Bob enfrentaram. Ao lado de Harley está a sua melhor amiga e outra debutante da sétima arte que aproveitou igualmente para trabalhar com o pai, Lily-Rose Depp. Juntas como Colleen e Colleen são BFF’s e as funcionárias descontentes da loja de conveniência do pai de uma delas. Tiveram direito a um cameo em “Tusk”, uma perturbadora experiência no terror, e agora são as estrelas no segundo filme da trilogia True North, que ficará completa brevemente. Também é de terror, mas numa vertente bem mais humorística, ainda que igualmente desconcertante. “Yoga Hosers” volta a contar com cameos de Justin Long e Haley Joel Osment, tem Natasha Lyonne e vários regulares de Smith além de várias surpresas que não reconhecerão. Ao início é sobre duas adolescentes para quem o smartphone é como um órgão vital, que usam o calão dos jovens, têm pronúncia canadiana e estão revoltadas com a sociedade. Lentamente começa a passar ensinamentos da escola alternativa de yoga onde as jovens andam (não identificarão nenhuma corrente com pensamento semelhante) e no final veremos como, numa noite sem supervisão parental, terão de ajudar um investigador a resolver uma série de crimes e enfrentar a maior ameaça das suas vidas. E a aula de história nesse mesmo dia sobre os nazis canadianos contribuirá para amplificar o medo justificado que sentem. Smith não quer saber do que os outros pensam. Este filme não lhe foi contratado – está a fazer por vontade própria por muito pouco dinheiro – pelo que não tem de obedecer nem às regras nem aos gostos de ninguém. Se parece que o estou a justificar por um filme mau, é quase. É um peculiar vídeo caseiro das famílias Smith e Depp (as mães fizeram um cameo) que de alguma forma chegou aos cinemas e está a ser escrutinado pelo grande público. Um filme que só os seus seguidores mais regulares entenderão, com uns vilões que escapam ao imaginário convencional e onde as interpretações são claramente más. E fica aqui o alerta que para este visionamento o humor só funcionará em grupo. Um cruzamento de Edgar Wright e John Waters vem-me à cabeça. O autor no entanto sabe as limitações do seu argumento e o filme fica pela duração possível, da mesma forma que sabe as limitações da filha e deixa a maioria dos momentos musicais para solos da filha de Vanessa Paradis. Se sabem ao que vão, arrisquem uma prática de yoga. Se o nome de Kevin Smith vos é estranho, deslumbrem-se com tudo o que fez nos últimos 20 anos antes de se aventurarem por este território. Filmes Filmes 2016 adolescentesDetetiveNuno Reis