Villmark Asylum Nuno Reis, 10 de Setembro de 201614 de Dezembro de 2025 Passou mais de uma década desde a primeira vez em que visitamos “Villmark” com Pål Øie. Entretanto o fantástico norueguês disparou à custa de nomes como André Øvredal e Aleksander Nordaas e essa maior visibilidade fez com que um regresso ao lago tivesse de ser com base não no folclore, mas num mito também com laivos de fantasia mais recente e bem mais assustador: experiências médicas em doentes. Claro que para se ter um pacote completo ainda se podem juntar nazis e um hospício abandonado. E não nos podemos esquecer as cinco pessoas que lá vão passar uns dias antes da demolição. Quantos mais lugares-comuns se poderiam juntar? Apesar de todos os ingredientes parecerem vulgares, “Villmark Asylum” sabe ser minimamente diferente e se não fossem alguns frames com efeitos psicadélicos inseridos desnecessariamente na primeira hora até poderia ser um visionamento agradável. Para isso contribui a magnífica performance de Helen Dorrit Petersen (também a estrela de Shelley) que como líder de equipa consegue dividi-los para se tornarem presas fáceis, mas pelos intercomunicadores os vai controlando e mantendo em relativa segurança. Pål Øie engana-nos sugerindo um sub-género de terror e, assim que as defesas do espectador estão montadas, enveredando por algo bastante diferente. Não é boa ideia assumir como sendo uma sequela. Não só porque o primeiro não teve as melhores críticas, ou porque se tentaria ver um filme norueguês com treze anos (e acreditem que não é fácil), mas especialmente porque não há qualquer relação entre os dois além da localização relativamente próxima. “Villmark Asylum” (pelos motivos listados aqui não faz sentido usar o 2 no nome) é um filme que funciona por si só. A narrativa acompanha uma equipa de fiscalização que vai visitar um sanatório antes da demolição para avaliar se tem materiais perigosos, para recolher documentação com relevância histórica, basicamente para garantir que não deitam fora nada que não devessem. O prazo de três dias é apertado para um edifício com três pisos e mais de trezentos quartos, e não melhora quando surge um novo piso, mas o pior é que parecem não estar sós. E não se trata do zelador que foi deixado no hospital por trinta anos para vigiar o equipamento e documentação. Há algo mais. Algo que não os quer lá. O ritmo ao início está adequado ao que vemos em filmes de edifícios assombrados. As interpretações estão aceitáveis ainda que faltem mais camadas às personagens e dum ponto de vista técnico é só aquele detalhe de colocarem efeitos desnecessários que arruina o filme. Aos poucos vão aparecendo novos problemas para a equipa e focos de tensão que tentam direccionar o espectador a preocupar-se com eles e a justificar as decisões. Aceita-se. E depois há a grande mudança de género para o slasher onde um novo conjunto de regras se aplica. Claro que esse segmento de filme também se vai basear em regras já existentes e se vai parecer com milhares de outros antes dele, sendo que o facto de ser apenas alguns minutos de slasher em vez de hora e meia lhe uma atmosfera mais suportável. E se as personagens fossem mais humanas e mais fáceis de gostar (o que normalmente se faz ao início desses filmes) o massacre teria sido mais turtuoso. Há um esforço claro para que se goste das raparigas (quem não torce pela final girl?) em detrimento dos papéis masculinos, só não é suficiente. Dando mais espaço para as personagens se desenvolverem teria sido melhor para o filme. Ao misturar as regras de dois géneros Øie mostra as suas capacidades, mas não nos consegue dar um filme memorável. Só duas metades distintas bem encaixadas que não comprometem. Filmes Filmes 2015 FlorestaIsolamentoMOTELx 2016Nuno ReisSlasher