Pet Nuno Reis, 9 de Setembro de 201616 de Novembro de 2025 Ao olhar para o programa do MOTELx deste ano havia muitos filmes novos para mim e muita incerteza quanto ao que deveria ver entre as três salas disponíveis. Mas ao ver o nome Carles Torrens tive logo uma das apenas duas certezas quanto às sessões a que iria. Este jovem realizador tem conquistado o mundo com as suas curtas (Sequence, M is for Mom) e conseguiu não ser entediante quando fez found footage (Emergo) estava a dar o seu passo gigante de entrada em Hollywood com dois intrusos vindos da televisão, fazendo um filme onde Dominic Monaghan de Lost, Flash Forward e The Hundred Code dividia o estrelato com Ksenia Solo de Lost Girl e Orphan Black. “Pet” tinha uma premissa interessante e as fotos promocionais confirmavam o que qualquer pessoa acostumada a thrillers ou com um leve distúrbio mental pensaria ao lhe ser dada apenas essa palavra para tema: como seria ter uma pessoa como animal de estimação? A história acompanha Seth, funcionário mal-pago, mas muito dedicado de um canil. Ao cruzar-se com uma mulher no autocarro que recordava dos tempos de escola, vai perceber que não tem muito jeito para falar com mulheres, mas aquela não lhe pode escapar. Ele vai prendê-la até que ela se corrija. Na opinião daquele sujeito apreciador de cinema fantástico / psicopata que já sabia onde isto ia dar, o filme poderia tomar muitos rumos. A opção de Jeremy Slater (da série “The Exorcist”, e do filmes “Fantastic Four”, “The Lazarus Effect” e “Death Note”) foi bastante ligeira, apostando no jogo de vontades do captor e da prisioneira que se degladiam em jogos mentais que não poderão ter bom resultado. Enquanto um raptor experiente saberia dominar qualquer presa e quebrar a sua vontade (o Síndrome de Estocolmo é cada vez mais explorado em cinema), este caso é especial. Como empregada de mesa e namorada de indivíduos poucos recomendáveis, Holly sabe suportar jogos mentais e este zé-ninguém deve ser fácil de manipular. Enquanto ela marca na jaula os dias de cativeiro, sabemos que se lançou um desafio e que o quer vencer, custe o que custar. É portanto mais um thriller psicológico do que terror, e foi suavizado de forma a poder encaixar num escalão etário de PG13. Nâo que isso surpreenda vindo de Torrens que nos conseguiu fazer rir com histórias de género fantástico, mas desta vez era de esperar um pouco mais do que isso. Filmado essencialmente em espaços interiores e metálicos, a fotografia nunca é prejudicada pelos reflexos devido aos vários cuidados para evitar movimentos de câmara. A montagem foi prejudicada pela versão comercial pois dá apenas uns vislumbres do que Holly sofre na sua prisão, não explorando tanto como devia os delírios na escuridão. As histórias secundárias também não foram suficientemente exploradas e deixam algumas pontas soltas, mas o mais triste é o quão depressa termina. Com uma duração de exactamente 90 minutos, o filme parece ter sido cortado quando começava a ficar bom. O crescendo na tensão é bem controlado, mas chega ao fim num instante e deixa com vontade de ver mais. É um daqueles muitos casos em que se vê com agrado e se recordará algumas cenas e ideias pela sua originalidade, mas o filme no seu todo será esquecido passado umas semanas. É uma pena pois estes dois actores estavam a provar serem versáteis dentro de um só filme. Resta-nos esperar que no próximo filme já se veja um Torrens transgressor. Ainda sou dos que acreditam que ele é um dos que conseguirá mudar Hollywood. Filmes Filmes 2016 AnimaisMOTELx 2016Nuno ReissequestroSitges 2016