Frankenstein (2015) por Nuno Reis Nuno Reis, 13 de Outubro de 201511 de Dezembro de 2025 Os maus resultados de “I, Frankenstein” não parecem ter assustado a indústria e enquanto não regressam os monstros clássicos da Universal, teremos várias versões desta criatura em cinema e televisão. Num ano em que Frankenstein parece ter direito a todo o tipo de adaptações, a primeira a chegar é a modernização pelo talentoso realizador Bernard Rose que, após uns tranquilos anos 90, voltou a ser um criador muito activo neste últimos cinco anos. Quem não o recorda, só tem de pensar em títulos como o maravilhoso e esquecido “Paperhouse“, o clássico dos mitos urbanos “Candyman” ou o drama-cómico “Mr. Nice”. Nesta versão o doutor Frankenstein é um cientista moderno que recorre à ciência mais avançada de modelação para construir um corpo e lhe dar vida. A diferença é que a criatura quando “nasce” (Que termo podemos usar? É ligada?) não é feia, é um jovem bem-parecido com os impulsos e instintos de um recém-nascido e que se apega à Dra. Frankenstein, uma personagem descurada em todas as versões. Só que, devido ao seu corpo artificial, o jovem é uma criança muito forte e difícil de controlar. Quando a sua pele começa a reagir de forma adversa às várias injecções, assumem que a experiência correu mal e tem de ser terminada. A criatura vai ser morta (é esse o termo? Pode-se matar quem não nasceu?). Como todos sabem, ele escapa e vai explorar o resto do mundo onde a sua ignorância o torna um perigo para a sociedade. Apoiado nos textos de Mary Shelley que utiliza como pensamentos e voice over da criatura e descreve como ditos de “um poeta romântico do século XIX, um Lord Byron inebriado”, Rose apresenta-nos um ser muito humano e inocente, que erra muito, mas sobretudo que aprende. Com um homem cego aprende o que é o amor, mas com os restantes aprende o ódio e a repulsa. Sempre que lhe fazem mal, em vez de dar a outra face, prefere uma resposta “olho por olho, dente por dente” com a força de dez homens. Só que este homem é um indesejado, horrivelmente desfigurado, sem um lugar na sociedade e rejeitado pelos seus criadores. Na sua divagação pelo mundo vai ter tempo para filosofar sobre a sua identidade, a sua existência e as obrigações de quem o trouxe ao mundo. Uma das mais fiéis adaptações da clássica obra literária que precedeu o terror e a ficção-científica, “Frankenstein” é um filme que sob imenso sangue esconde um coração latejante. Ou seja, só os amantes de terror conseguirão ver para além do seu visual gore e perceber que na verdade são os sentimentos e os sonhos bons a dar a tónica mais forte à narrativa. É um filme arriscado e que será difícil de ver para quem não suportar o sangue, mas se olharem para o lado nas quatro ou cinco cenas mais assustadoras e se concentrarem no resto, decerto apreciarão pelo menos parte da mensagem. Muita atenção também ao pequeno papel de Tony “Candyman” Todd que fará as delícias dos amantes do primeiro grande sucesso do realizador. Filmes Filmes 2015 CiênciaFrankensteinIsolamentoNuno ReisSitges 2015