These Final Hours Nuno Reis, 9 de Outubro de 20145 de Dezembro de 2025 Zak Hilditch tem uma carreira já bem composta, mas parece um pouco obcecado com o fim do mundo. Depoos da premiada curta “Transmission” que tinha lugar num deserto australiano pós-apocalíptico, agora transporta-nos para uma pré–apocalíptica Austrália onde acompanharemos James (Nathan Philips de “Wolf Creek” e “Snakes on a Plane”) numa inesperada missão como babysitter de uma rapariga que tem um local para onde ir e nenhuma forma de lá chegar sozinha. O mote para este filme é semelhante ao que cada vez ouvimos com maior frequência. O fim do mundo não é sempre nos Estados Unidos. Nem é nas capitais europeias e asiáticas. Por vezes é numa pequena cidade australiana da qual nunca ouvimos falar. Na verdade, este meteorito causador do fim do mundo até começou pelo Atlântico norte. A Austrália tem a sorte, ou o azar, de ser o último suspiro de um planeta moribundo. Esta é a história das últimas horas da Humanidade. Como seria de esperar, o desespero toma conta de todos e cada um, que começam a fazer tudo de bom que andaram a adiar, tudo de mau que possam pensar por escaparem impunes, pedem desculpa, confessam pecados e sentimentos. E claro, depois suicidam-se, fogem para um sítio onde não estão a salvo, ou festejam até caírem para o lado inconscientes. É o último dia para todos e ninguém pode mudar isso. Em “These Final Hours” não temos ficção científica complexa, não temos missões para salvar a humanidade. A catástrofe aconteceu, é irreversível, e a Austrália lentamente vai perdendo comunicação com o resto do mundo. Sabem quanto tempo lhes resta e a única coisa que controlam é se esperam para morrer com os restantes ou se o antecipam. Este filme é sobre um jovem egocêntrico e como os seus planos vão ser alterados quando se depara com um louco que o faz desviar-se da rota. O apocalipse não vai ser usado como pretexto para violência gratuita. Vai ser um pretexto para reflectir sobre o que é mais importante. A sorte de quem filma na Austrália é que as paisagens são magníficas. E indo para o deserto, estão naturalmente vazias pelo que se pode trabalhar sem humanos. Com um competente trabalho de fotografia e uma reduzida equipa diante das câmaras, o trabalho de Hilditch foi fácil. O argumento cumpre com o que era desejado, fazendo um bom jogo de emoções sem entrar numa montanha-russa, e ficando ligeiramente aquém das expectativas no final, mas ainda assim sendo bastante satisfatório. A rádio a fazer a contagem decrescente para o final é a cereja no topo e substitui-se a um narrador convencional. Após mais uma destruição do mundo, este subgénero revela que ainda tem muitas ramificações a explorar. Em especial quando a dicotomia belo/horrível da destruição é assim apelativa e os valores humanos sobressaem enquanto o planeta cai na escuridão. O cinema australiano continua a dar cartas pedindo uma oportunidade de competir com os grandes. Um destaque para a pequena Angourie Rice que também esteve no referido “Transmission” e a vimos no Natal passado em “Walking With Dinosaurs 3D”. Tem um papel complexo para a idade e não tem problemas em roubar o protagonismo quando necessário. Filmes Filmes 2013 ApocalipseNuno ReisSitges 2014