The Raid 2: Berandal Nuno Reis, 13 de Setembro de 20145 de Dezembro de 2025 Unanimemente aclamado como um dos grandes filmes de acção da última década, e na lista dos favoritos de muita gente, “The Raid” foi um fenómeno de popularidade imediata como raramente se viu. Depois de dois pequenos sucessos, ao terceiro filme Gareth Evans estava nas bocas do mundo. Grande parte do sucesso do galês radicado na Indonésia é devido ao seu protagonista Iko Uwais. O lutador de Silat já tinha sido campeão nacional, mas não tirava proveito/rendimento do seu talento. Com Evans tudo mudou. A dupla em “Merantau” deu nas vistas, mas quando chegou “Serbuan Maut”, conhecido por estes lados como “The Raid”, deixaram todos de boca aberta. Era um bloco de apartamentos recheado de criminosos armados até aos dentes e um homem sozinho a derrotá-los quase desarmado e sem ajuda. A premissa simples deu origem a um filme de acção soberbo. Repetir a receita seria demasiado, mas voltaram para uma sequela. E antes que perguntem, sim, haverá um terceiro. A segunda entrega das aventuras de Rama vai levá-lo a trabalhar infiltrado no submundo onde terá de enfrentar criminosos profissionais e uma conspiração pelo poder. A grande diferença em relação ao primeiro filme está na qualidade em vez da quantidade. No primeiro eram centenas de criminosos de segunda categoria com armas automáticas, estes são alguns assassinos profissionais, são mais requintados e têm técnica. Têm armas predilectas e formas sádicas de as usarem. Como espectadores temos tempo para conhecer a história deles. Temos direito a combates minuciosos de um contra um em vez de ser tão “a despachar” como se viu no primeiro. Mas não desesperem já porque também haverá desses. No princípio do filme Rama está na prisão e assistiremos a um combate dele contra todos que supera os do primeiro filme. Das melhores sequências que se podia pedir. Um filme de artes marciais precisa de pouco para ser um sucesso. Precisa de lutadores em condições. Precisa de coreografias elaboradas e de operadores de câmara que as captem no seu melhor. Precisa de um argumento que não seja de fugir. Se “The Raid” tinha tudo isso complementado com realização e fotografia de topo, para a sequela ainda subiram a fasquia. Em vez de se contentarem com satisfazer o público desafiaram os seus limites dando-nos uma história de Yakuza com interesse e personagens com profundidade, a fotografia teve de superar as dificuldades de trabalhar sob chuva ou em carros em movimento, com uma paleta de cores muito superior ao primeiro. Como se precisasse de demonstrar tudo o que sabia fazer e tivesse a sorte rara de conseguir encaixar tudo isso em duas horas e meia (que não se nota a passar) numa história com nexo. Continua a ser apenas um filme de acção e artes marciais, não vamos esperar prémios interpretativos ou de escrita, mas do ponto de vista técnico e de envolvimento com as personagens, ensina a fazer cinema como gente grande em vez de se contentar em cumprir as baixas expectativas do género. Talvez seja melhor durante uns anos não sairem muitos filmes de artes marciais porque neste momento, não só estamos satisfeitos, como estamos exigentes. Filmes Filmes 2014 artes marciaisMOTELx 2014Nuno Reisviolência