Stitch Head Nuno Reis, 28 de Outubro de 202510 de Janeiro de 2026 Está a chegar o Halloween e com ele os filmes de terror para toda a família. Uma das mais recentes entradas para essa lista (ainda nem tem data de estreia para Portugal) é “Stitch Head”. A inspiração foi uma novela gráfica – também para o público infantil – que conta exactamente a mesma história. Chegou de forma discreta, sem nomes sonantes no elenco (liderado por Asa Butterfield), e tem como foco o público infantil, tal como os filmes de antigamente. Nesta longa de animação, vamos com um circo itinerante até uma aldeia que não parece chocada com as aberrações que chegam. É que eles têm o seu próprio castelo assombrado recheado de monstros. Não são estes forasteiros que os farão gritar. No castelo, um cientista louco diverte-se a criar novos monstros. A sua primeira criação foi Stitch Head, que actua como ajudante do cientista e faz a recepção aos novos membros da família, mostrando como os humanos são maus e porque se devem esconder. Quando o dono do circo vê o pequeno, convida-o a juntar-se à digressão para assustar pessoas. Só que os monstros não querem perder o seu amigo. Ver “Stitch Head” dá uma enorme sensação de déjà vu. Não só por a Fabrique d’Images ter sido honesta ao nome e estar a criar muitas animações, ou porque quase todos os estúdios já nos trouxeram filmes com um grande sortido de monstrengos, ou porque tem traços de “The Greatest Showman”. Mesmo esta história de o circo levar a criança deslumbrada com a vida maravilhosa que poderá ter, tem semelhanças com Pinóquio. Quem conhece o livro, achará maravilhoso. Quem vem na ignorância, tenderá a ver primeiro as semelhanças com outras obras. Todavia, tem uma coisa inegável: a atenção ao detalhe. Algumas cenas, quase que frames individuais, não deixam nada ao acaso. E como as criaturas são anatomicamente estranhas (temos uma criatura com 3 braços), havia muito potencial. Se há 25 anos o futuro da animação era fazer um movimento de pêlo realista, agora o fundamental é garantir que quem vê o filme distraído fica capturado por uma cena em particular. É um daqueles casos em que as partes são melhores que o todo. De resto, é um filme infantil. O principal ingrediente é o humor e tem uma menina corajosa e destemida. Não tem monstros assutadores, mas tem uns humanos algo assustadores. É uma boa disposição contagiante que por momentos me fez lembrar o espírito das aventuras de Scooby Doo. E ajuda a compreender porque a ignorância gera medo e ódio, de formas mais inteligentes e subtis que exemplos anteriores (este conflito humano-monstro tem enormes semelhanças com “Monsters Inc.” e “Hotel Transylvania”). Não será um filme para repetir frequentemente, mas pelo menos nesta época festiva é uma alternativa para ter em mente. Filmes Filmes 2025 AmizadeMonstroNuno Reis