Clone Cops Nuno Reis, 3 de Novembro de 20252 de Novembro de 2025 “Clone Cops” foi realizado por Danny Dones, um realizador que se estreava nas longas, mas com experiência em duas dúzias de projectos em diferentes cargos. Como realizador já tinha feito algumas curtas e uma série de quinze episódios. Poucas novidades o surpreenderiam num filme normal. Por isso, fez algo que não pode ser considerado normal em nenhuns padrões. Não estava preparado para este filme. Recebi vários emails a convidar para o visionar e a curiosidade acabou por vencer. A capacdiade de o digerir e de escrever sobre ele, demorou um pouco mais. É uma mistura de ficção-científica com acção, muito ao estilo dos anos 80. Com péssimos efeitos, mas muita alma. Num futuro próximo a clonagem é uma prática comum. Uma das suas utilidades é na criação de uma força policial. Com base num espécime ideal, foram criados muitos agentes. Agentes melhores que o homem comum , e que podem morrer sem grandes danos emocionais ou morais. Isso parece muito bem para a sociedade, mas não para os criminosos. Um grupo escondido num armazém sente-se cercado. A polícia aproxima-se e terão de lutar e matar para escapar. Apesar de surgirem semelhanças com o Exército de Clones da República que aprendemos a menosprezar em Star Wars, esse não é o foco. Aqui o grande tema é como a sociedade começa a retirar empregos que eram de humanos. Temos pensado na ameaça da Inteligência Artificial, mas existem várias outras tecnologias com capacidade para causar choque na nossa sociedade. A clonagem não é um novo tema. E aqui esse tema é explorado em várias vertentes. A narrativa de “Clone Cops” tem duas áreas principais. De um lado temos os criminosos. Com um plano que falha e a precisar de improvisar para sobreviver. Eles são os humanos neste confronto. Do outro lado temos o cientista que está a mandar polícias clonados para o mundo. O exército não é infinito porque precisa de material genético, mas temos uma visão mórbida do que é uma experiência e um negócio, que perde o respeito pela vida. Há ainda uma terceira facção, os apresentadores que tornam tudo isto num reality show. Sem respeito pela vida, sedentos de sangue e a contar as mortes. Um retrato da nossa sociedade. É no equilíbrio destas três perspectivas que temos o filme. A mais real é a dos criminosos e onde as actuações são menos más. Aliás, até reconheci Quinnlan Ashe de produções mais convencionais. Mas isto tudo é uma sátira, onde capacetes parecidos com baldes e tão ridículos como o de “SpaceBalls” complementam os efeitos especiais na multiplicação de um actor. Temos mortes estúpidas, temos tiros certeiros que falham, temos mortes demasiado lentas… Vale tudo. E, ocasionalmente, ataques aos danos que o marketing causa no cinema. “Clone Cops” é um filme inteligente que cumpre os seus objectivos, ainda que o baixo orçamento possa afastar a maioria dos interessados. Pessoalmente só reduziria a palhaçada nos apresentadores, mas também o faria a muitos dos influencers que por aí andam. É um retrato pouco lisonjeiro da humanidade. Infelizmente não é inacreditável. Filmes Filmes 2024 ClonagemExistencialismoNuno ReisPolíciareality show