Killing Faith Nuno Reis, 30 de Novembro de 202529 de Novembro de 2025 Numa época em que é raro um filme ser original, a simples menção a um cruzamento de géneros desperta interesse. E quando dão um toque de sobrenatural a outro género, ainda melhor. Esta proposta era um western convencional, mas com uma pequena alteração. Estamos em meados do século XIX. Sarah é uma mulher negra a quem foi dada liberdade. Ela procura transporte até outra vila para si e a sua filha, uma menina branca e loura. Só que ninguém as quer lá e ninguém as quer levar. A criança está amaldiçoada. É a morte personificada. Tudo aquilo em que as suas mãos tocam perde a vida. Até que Bender – um médico caído em desgraça que acorda todas as noites numa cela por andar a vaguear embriagado –também recebe um convite para ir embora. Vão-se juntar e partir em busca da única cura disponível: um padre milagreiro a poucos dias de distância. Como dito acima, segue todas as regras do género. Bender é um homem assombrado pelo passado. Utiliza éter para anestesiar os sentidos até encontrar a redenção ou uma forma de morrer. Guy Pearce volta a desafiar-se e pega numa personagem diferente do que costuma fazer. Entrega uma performance sólida e competente. Sarah é uma mulher determinada, independente e que ignora as normas sociais. Mesmo que isso seja um perigo no pré-guerra civil. Só que ela está acostumada a ser vista de lado. Tem propriedade e uma criança diferente, num tempo em que nem teria direito à própria vida. É o equivalente a uma bruxa. DeWanda Wise tem estado num bom momento da sua carreira e a diversidade de personagens também não a assusta. Ainda que esteja num registo muito constante ao longo do filme, tem uma forte presença. Além deles temos alguns secundários interessantes. Jamie Newmann como uma fora-da-lei está muito bem, ainda quec seja um pequeno papel. Raoul Max Trujillo como um índio educado pelo “ingleses” idem. Jack Alcott é o “idiota da aldeia”. Ainda que comece muito convencional, tem os seus momentos. E depois temos Bill Pullman que entra discreto, a esbanjar classe. Tem grandes frases no pouco tempo de cena. Como grande parte do filme se passa nas planícies desertas, os encontros com pessoas são raros. Há muito tempo para falarem entre si, para pensarem, e para alucinarem. Além do stress de poderem estar a ser perseguidos. Isso faz com que o filme pareça mais longo do que realmente é, mas o nível mantém-se constante. Heróis com falhas e vilões implacáveis funcionam sempre. Tem uma boa produção e entretem, mas, no final, não faz nada de memorável. Filmes Filmes 2025 doençaNuno ReisPossessãoViagem