Black Warrant Nuno Reis, 8 de Fevereiro de 20238 de Novembro de 2025 Existem nichos inesgotáveis no cinema. Sub géneros que resistem ao tempo e à critica e lançam títulos todos os meses, talvez todos os dias. O mais popular é aquele dos romances de cordel completamente previsíveis. Mas logo depois deve estar aquele dos filmes de acção que se mantém inalterável desde os tempos dos videoclubes. Principalmente com a proliferação de países que apoiam as produções no seu território, Primeiro tornaram o sudeste asiático um popular destino para filmagens exóticas, logo seguido do leste europeu que se faz passar por América do Norte. Todos esses filmesx acabam no mesmo sítio. Na ininterrupta programação televisiva que nos dá filmes 24 horas por dia em quatro a cinco canais de cada grupo. A máquina precisa de se alimentar e de regurgitar em nós tudo o que lhe passem. “Black Warrant” começa precisamente como tantos outros. Uma operação internacional de polícia no combate à droga. Devido ao COVID o plano original de ter lugar na Ásia foi alterado para fazer no México, igualmente fértil para histórias de droga, menos viagens. À primeira vista seria uma história como tantas outras. Uma operação corre mal. Ficamos com um polícia sedento de vingança e um perigoso criminoso em fuga que se reencontram no final. Só que aqui, além de Anthony que é o agente federal americano a agir com impunidade no estrangeiro e a perseguir criminisos, existe também Nick. Um agente reformado a quem é pedido que elimine imediatamente três homens. Precisamente os mesmos que Anthony quer deter. Entre o jovem a controlar os impulsos para fazer cumprir a lei e construir um caso com calma, e o experiente que quer despachar a missão para voltar para o seu barco, vai acabar por haver um conflito. No papel não se distingue de vários outros filmes. A arma secreta é familiar. Os criminosos parecem familiares. O herói (Cam Gigandet) parece-se com muitos outros e o anti-herói (Tom Berenger) já é conhecido por isto. Tentaram parecer actuais, usando fórmulas antigas. Correu bem, pois Gigandet é o perfil certo, a entrada de Berenger rejuvenesce o filme (por estranho que isso soe), e Helena Haro era exactamente o que o filme pedia. Há química entre estes protagonistas. Temos duas gerações, dois métodos que funcionam, dois objectivos parecidos. O resto são detalhes a que não se dá importância. Aliás, os vilões são tão banais que nos créditos nomes e rostos já foram esquecidos. O filme não ser um lixo é principalmente mérito de Tibor Takács que trouxe a sua experiência de produções televisivas e de ação direta para vídeo. Sabe o que tem de fazer, sem um toque pessoal, mas com segurança. Compensa a falta de orçamento com criatividade. E como o argumento tem uns toques inesperados de humor, perdoa-se as ideias repetidas e os momentos fracos. Filmes Filmes 2022 famíliaNuno ReisVingança