Alien Country Nuno Reis, 20 de Outubro de 202413 de Novembro de 2025 O guilty pleasure do ano Estão constantemente a ser produzidos filmes dos quais nem ouvimos falar. Vários deles porque não chegam a Portugal, a maioria porque não chegam a lado nenhum. Não conseguem distribuição nacional, muito menos internacional. De vez em quando lá escapa algum porque uma crítica despertava o passa-palavra. Ultimamente, com o streaming e video on demand, todos podem ser divulgados e chegar bem longe. Contudo, isso gera fadiga. Quanto mais coisas más se vê, menos se confia nas descobertas. Prefere-se o convencional que toda a gentte vê. Quando recebi emails sobre o lançamento de “Alien Country”, sabia ao que ia. Só podia ser algo muito mau. Mas tinha no topo do elenco Rachele Brooke Smith que conheci há uma década em Madrid, por isso lá fui cumprir a obrigação. E por acaso fui enganado. Ela tem uma participação bem pequena. Estamos numa pequena povoação americana. Jimmy é um marginal acomodado ao lugar e à vida que leva. A sua namorada Everly é bem diferente. Ela quer sair e a carreira musical pode ser a sua grande oportunidade. Até que um evento inesperado lhes altera os planos. Um portal aberto por acidente importa criaturas extratraterrestres com instinto assasino. Agora, cabe ao casal suspender o arrufo e reunir um pequeno exército para repelir os invasores. Ao ver o filme surgem duas sensações. Uma é a certeza de que vai ser mau. Outra, é aquilo não estar a ser tão mau como se esperava. Contra-senso? Nos primeiros vinte minutos é um filme independente, mas não de demasiado baixo orçamento. E os actores são competentes. Quando se chega à trama principal já é claro o que estamos a ver. Isto é um argumento de baixo custo, com uma equipa artística que dá o seu melhor e se diverte no processo. Efeitos especiais melhores que as produções habituais do canal SyFy. Algumas das cenas se tivessem mais criaturas ficariam melhores. Mas outras por serem como foram ficam maravilhosas. Como quando temos a câmara focada em 4 personagens e a que tem mais falas é a única que está fora do plano. Depois de várias cenas previsíveis, uns alienígenas divertidos e outros pouco assustadores, estamos convencidos. A tal ponto que a cena de acção final é muito ridícula mas nem assim se leva a mal. E a cena final faz-nos procurar uma possível sequela ainda antes dos créditos começarem. Teria sido muito melhor como uma curta. O estilo de humor estaria perfeito numa produçáo de vinte minutos. Ainda assim, é um filme que sabe as suas limitações, mas faz o melhor que pode. Entretem e diverte, sem nos fazer puxar pela cabeça. Filmes Filmes 2024 AlienígenafamíliaNuno Reis