Somnium Nuno Reis, 8 de Setembro de 202514 de Janeiro de 2026 Este filme não me estava a convencer pela sinopse ou cartaz. Os sonhos são um tema maravilhoso para explorar, mas dá imenso trabalho construir um argumento decente e ainda mais torná-lo realidade. Em especial porque cada espectador terá expectativas diferentes. Mas ao ver que tinha Chloë Levine, não havia dúvidas. É uma das estrelas em ascensão no terror e já em fez o filme sozinha. Dirigido pela estreante Racheal Cain, “Somnium” acompanha Gemma (Levine), uma jovem que se muda para Los Angeles com o velho sonho de se tornar actriz. Na falta de oportunidades nessa área – ou qualquer outra – aceita um emprego como “guardiã dos sonhos” numa clínica com um programa de sono exclusivo. O propósito do programa deles é manipular os sonhos dos pacientes para que eles visualizem a sua nova vida e a tornem realidade. À medida que Gemma se acostuma ao lugar e vagueia por entre mesas de sono, começa a questionar o que vê. Cain também foi a autora do guião e pegou nas duas clássicas interpretações associadas ao sonho: a dimensão onírica e a de ambição e desejo. A mais visível é a que vem associada com a soneca. Para a protagonista é o trabalho à noite e o distanciamento da sociedade por estar noutro turmo. Ela estava acostumada, mas aqui tem custado mais por não ter a sua rede de apoio. Isso causa-lhe flashbacks para tempos passados, com os amigos na sua terra. Perde noção do tempo. Para os restantes, o foco está no tratamento através do sono. Gemma não acredita muito nisso, mas ao aprender um pouco mais sobre o método, e ao ver a sua vida desmoronar-se, começa a fica receptiva a métodos de mudar. Mesmo que também esteja a ficar consciente do lado negativo. De como os sonhos programados por alguém nos podem definir as ambições e o futuro. Podem amplificar o melhor e o pior em cada um. A camada relacionada com as ambições deu mais trabalho. Gemma tem um sonho comum – ser actriz em Hollywood – e tem tantas hipóteses nisso como os outros milhões que o procuram todos os anos. A diferença é que não está obcecada e portanto vai tentando mais coisas e tem sempre a opção de voltar à existência anónima de antes. Por isso suspeita desse caminho fácil para o sucesso. E quando vemos a audição que faz damos-lhe razão. O talento já lá está, os outros é que demoram a ver. Levine tem aí um dos dois momentos bons do filme. O outro sendo a entrevista dada sem noção do que se passa, provando que os atalhos não são um bom caminho para lado nenhum. A personagem que nos traz é muito convincente, com a dose certa de fragilidade, alguma ingenuidade, mas também muito engenhosidade para se mover nesses meios. “Somnium” arrisca ao entrar no território de Freddy Krueger e tentar colocar pesadelos nos sonhos. Muitos outros foram por aí e falharam. Contudo, por se ficar principalmente pela FC e só dar uma amostra de terror não é mau. O maior problema foi que induz o sono. Se for visto numa sessão tardia, é mais provável que nos leve para o mundo dos sonhos do que nos mostre o mundo dos sonhos. O conceito principal podia ter sido uma bela curta se retirassem algumas das ramificações supérfluas. Assim é uma longa divagação. Com bons momentos, mas demasiado tempo e curvas até chegar ao que era previsível. Filmes Filmes 2025 Nuno Reisprivação de sonosonhossono