Father Figures Nuno Reis, 15 de Fevereiro de 201820 de Novembro de 2025 É muito popular a história de alguém que descobre na idade adulta que foi adoptado e se lança à procura das suas origens biológicas. Em “Father Figures” há uma ligeira variação. Dois gémeos já crescidos, um dele com um filho pré-adolescente, estavam no casamento da mãe quando descobrem que o pai que nunca conheceram está vivo e é um actor. É quando a mãe admite que talvez tenha lhes mentido um pouco durante décadas.Talvez o pai deles não tenha morrido e ande por aí. Então Peter, o ansioso e metódico médico, e Kyle, o sortudo e irresponsável surfista, vão partir em busca dele numa viagem com muitas surpresas. Não esperava muito do filme. Mas a faceta cómica de Glenn Close é uma raridade pelo que lhe dei uma oportunidade. Logo de início parece mais do de sempre. Ed Helms e Owen Wilson não fogem aos estereótipos do costume. É mesmo Close quem surpreende com algumas tiradas mais adultas. Quando começa a viagem dos irmãos afastados pela vida, pode ser que se perca a única coisa a funcionar no filme. É quando encontram um pai que traz um novo fulgor. É um humor diferente, mas rápido e físico. E quando começava a cansar, nova viagem. E asssim avança a trama, sempre com episódios diferentes, actores de topo e várias situações novas, ainda que pouco surpreendentes. O tema principal é sobre opções e estilo de vida, as diferenças entre os irmãos e como se complementam para ser uma pessoa funcional. A comédia entretém por muito tempo e o equilíbrio de personagens vai mantendo a novidade. Só que tem pouco por onde ir e até isso se esgota, forçando a fechar a viagem antes de exagerar. Nessa jornada temos o talento de Terry Bradshaw, Ving Rhames, J.K. Simmons e Christopher Walken, além de outros nomes menores como Katt Williams e Katie Aselton. Podia também referir Ali Wong, mas está por tão pouco tempo que não sei precisar se foi um enorme desperdício ou um cameo longo. Todos eles a pegarem num estereótipo e a levarem essa personagem ao extremo com bastante liberdade. É uma comédia que pega no básico e o reinventa o suficiente para ser fresco. E com a vantagem invulgar de ter talentos suficientes para ser convincente sem entrar em exageros. Apesar do título ser “Figuras Paternais”, no fundo não era sobre encontrar um pai em falta. Era sobre reencontrarem o irmão gémeo de quem se afastaram e darem valor à mãe que esteve sempre presente. Ambos mais fundamentais que um pai. Uma mensagem sempre importante, que chega com boa disposição e sem tentar ser mais do que bom humor. Não se pedia mais. Não será memorável, mas serve como entretenimento televisivo. Filmes Filmes 2017 IrmãosNuno Reisviagem em família