Die, My Love Nuno Reis, 5 de Dezembro de 202516 de Janeiro de 2026 O amor é confuso, é lindo, é louco… e é muito complicado. Quando alguém como nos diz para ler um livro, nós lemos. Quando nos diz que seríamos a escolha perfeita para a personagem principal, a próxima coisa a fazer é comprar os direitos da obra. Foi assim que chegou a “Matate, Amor”/”Die, My Love”. Produtora e protagonista, escolheu para a dirigir. , um dos nomes fortes do momento, foi escolhido para seu companheiro. E as lendas e ficaram com os papéis secundários. Grace, uma mãe recente, está a derrapar para a loucura. Isolada numa casa no Montana rural, o seu comportamento que parecia descontraído começa a parecer errático. Jackson, o marido que passa muito tempo fora, está preocupado, mas é incapaz de ajudar por não saber como. Pam, mãe dele, percebe os sinais e adivinha tudo o que se vai passar. Não interfere nem se impõe, vendo o descarrilamento à distância. O resto do seu grupo de amigos está distante e só os vemos nas celebrações, que é quando Grace tem os seus episódios. Isto é um retrato demasiado certeiro da parentalidade. Grace tem uma depressão pós-parto acentuada pela solidão e pelo isolamento. As conversas banais dos adultos com ela sobre a maternidade e os gugu dada para a criança não a cativam. Ela é uma escritora e tem uma mente fértil que precisa de estímulos. Sem o alimento certo, vai começar uma auto-fagia. O seu comportamento parecerá embriaguez ao olhar destreinado e é esse duplo sentido que dá muito valor ao filme. Ela estará mal da cabeça, ou são consequências do seu comportamento inadequado? O mesmo com Jackson. Parece um pai presente e exemplar, mas o que se passará quando está fora? Terá Grace razão nas suas suspeitas? É dada muita margem aos espectadores para formarem palpites e tomarem posições. Com o avançar da história, Jackson cada vez é mais presente na vida do bebé e repsonsável. Tem de ser pois Grace fica mais perdida no seu mundo. Não é capaz de tomar conta de si, quanto mais de outros. Nos últimos minutos a loucura toma conta da edição. E cada um poderá interpretar como quiser. Ramsey faz uma excelente gestão da narrativa. A edição e a banda sonora ajudam, tem alguns enquadramentos extremamente bem pensados que condicionam quem assiste. O argumento tem a dose certa de ambiguidade para vários capítulos serem lidos como sonho ou realidade. No fim, sobra a memória de algo fenomenal que se viu, ainda que sem a certeza do que foi. É um filme para prémios certamente. Ainda que não seja grande fã de nenhum deles, admito que Lawrence e Pattinson estão no seu melhor. Juventude suficiente para darem tudo por estas personagens. Maturidade suficiente para lhes darem toda a expressividade sem precisarem de falar. É um prazer assistir. Filmes Filmes 2025 Adaptação literáriacasamentodepressãofamíliamaternidadeNuno ReisSolidão