The Tale of Silyan Nuno Reis, 7 de Janeiro de 202614 de Janeiro de 2026 Quem gosta de ser enganado por um filme? Se esperava que o filme fosse mau e ele for bom, é uma boa surpresa. Mas normalmente é o contrário. Parece bom e é um desastre. Dizem que um actor entra, mas é só por 2 minutos. Dizem que é baseado em factos reais, mas mostram anjos a dançar com extraterrestres em cima de uma baleia listrada. Esse género de enganos não gosto. E quando um documentário me diz que é sobre cegonhas, espero que tenha mais pássaros que uma fábrica de bebés na hora de entrega. “The Tale of Silyan” tem uma cegonha no cartaz. Fala de cegonhas na sinopse. E começa por falar da lenda de Silyan, um rapaz transformado em cegonha. Era um excelente pretexto para entrarmos no mundo dessas majestosas aves. Só que vamos ser levados a fazerr um pequeno desvio pela Macedónia do Norte, e a sua população, não apenas aviária. Esta obra chega-nos pelas mãos de Tamara Kotevska, uma realizadora já conceituada que convenceu o mundo em 2019 com ““, duplo nomeado aos Oscares como documentário e como representante em Língua Não-Inglesa. Aqui repete a fórmula, usando as cegonhas (um animal protegido no seu país) como pretexto para falar de vários temas. Voltando à lenda, Silyan era um jovem cansado de trabalhar nas terras férteis da família, que queria uma vida melhor. O pai, irado, amaldiçoa-o e Silyan transforma-se numa cegonha. Deixa de ser bem-vindo entre os humanos. Não é aceite pelo animais. Está sujeito ao tempo e é forçado a emigrar… Tudo isso dava uma bela história. Por acaso, o mesmo está a acontecer com os humanos. Os jovens que vivem do solo são forçados a emigrar para países que paguem melhor. Os seus pais ficam sozinhos. E ainda que os jovens aguentem com algum esforço, os idosos e as suas terras estão condenados, mesmo que não o admitam. O foto desaparece de Silyan para se focar nos humanos, especificamente na família Coneva. Mas as cegonhas fazem parte da paisagem e não há como dissociar a Macedónia do Norte deste belo animal. Quando voltamos a Silyan, já sabemos muito sobre a aldeia e as suas personagens. Já nos rimos com eles e nos iramos como eles pela situação económica. Já temos saudades dos filhos que partiram para nunca voltar. E quando a situação não pode piorar, eis que surge uma cegonha para nos alegrar. A arte do documentário está em encontrar um tema apelativo e fazer filmagens boas o suficiente e em número suficiente para se poder editar um filme. Aqui, foi como se tudo o que se passa na aldeia se tivesse alinhado para contar a história. Temos uma edição com pés e cabeça, uma fotografia excelente, personagens e locais pitorescos, momentos no tempo que precisavam de ser registados. E a certeza que a História continuará e as cegonhas lá estarão para assitir a tudo. Estará disponível no Disney+ a 9 de Janeiro. Filmes Filmes 2025 AnimaisEconomiaemigraçãoNuno Reis