Invasor (2012) Nuno Reis, 14 de Outubro de 201217 de Agosto de 2025 António Reis em Sitges fala-nos de alguns dos filmes exibidos. O Iraque entra no cinema espanhol Sabendo-se o que as guerras do Vietname e do Iraque fizeram pelo cinema norte-americano, não é de espantar que Espanha quisesse também ter o seu “The Hurt Locker“. Ou seja, deixar uma marca em forma de filme da sua infausta participação na guerra do Iraque. “Invasor” de Daniel Calparsoro pretende três objectivos: demonstrar a capacidade técnica em meios materiais e humanos para se fazer uma produção de gama alta no género de acção; contar uma história que seja politicamente correcta; e agradar a um grande público. São objectivos demasiado ambiciosos. Relativamente à qualidade técnica tanto das cenas de guerra como dos planos no deserto à que reconhecer que o cinema espanhol não fica atrás dos seus congéneres. Os outros dois objectivos são bem mais difíceis de alcançar porque esta história baseada num livro é tão politicamente correcta que acaba por ter um efeito oposto. Para atingir um público mais vasto o argumento não é o suficiente, nem os actores conseguem competir com os seus colegas de renome internacional. História de um soldado envolvido a contragosto num massacre reportado como morte de terroristas e em convalescença de um atentado, cedo se percebe que lhe vai ser difícil o regresso a normalidade. A sua memória em stress pós-traumático só regista fragmentos de uma verdade que lhe querem esconder. O que sobra ao filme em acção falta-lhe em densidade dramática dos personagens que o tornasse convincente, o que não quer dizer que não funcione bem no mercado televisivo até pela sua estética. Para quem aprecia o cinema de guerra é mesmo infinitamente melhor rever “The Hurt Locker“. Filmes Filmes 2012 António ReisSitges 2012