This Ordinary Thing Nuno Reis, 17 de Dezembro de 202516 de Janeiro de 2026 “Aquele que salva uma vida, salva o mundo.” Uma frase icónica que se tornou mundialmente famosa no filme “We Are the Flesh (2016)ⓘ×We Are the Flesh2016★ 4.0/10Depois de vaguear por uma cidade em ruínas durante anos em busca de comida e abrigo, dois irmãos encontram o caminho para um dos últimos edifícios restantes. Lá dentro, encontram um homem que lhes fará uma oferta perigosa para sobreviver ao mundo exterior.View full page →Our Articles9 de Setembro de 2016Review★★★★☆ 4.0Tenemos la Carne“, mas que o mundo tem vindo a esquecer gradualmente. Cada vez se olha mais para o próprio umbigo (se o telemóvel não o tapar) e menos para a Humanidade no seu todos. Estreou há dias em Nova Iorque – e em Março chegará aos VOD – um documentário que pega no mesmo evento, mas leva um pouco mais além essa mensagem. É que no Holocasto muitas vidas tinham de ser salvas e poucos sequer se importaram. Muitos menos se mexeram. Este filme vai pegar nas imagens que todos vimos, e juntar-lhe vozes enormes do Cinema. Vejam a ficha técnica. O que nos vão dizer não é ficção. São depoimentos reais, de pessoas reais. Dos heróis que sabiam que salvar a vida de um estranho colocava em risco a própria, mas ignoraram isso. Durante meses ou anos esconderam uma, ou duas, ou cinquenta pessoas. Fintando e subornando quem fosse preciso para conseguirem dormir de consciência tranquila. Nem todos são um Schindler ou um Aristides, mas cada um deles foi um salvador de milhares de vidas por nascer. As imagens são fortes se pensarmos no que se estava a passar por trás. Mas podemos simplesmente fechar os olhos e deixar-nos levar pelas vozes. Ouvir os riscos e os desafios. Celebrar a criatividade das mentiras e das artimanhas. Aplaudir quem foi para a prisão por ter ajudado um, saiu, e voltou a fazer o mesmo, ignorando as consequências. A cumplicidade de casais que sabem que fariam o mesmo se o desafio se colocasse novamente. Num momento em que em vários pontos do globo se mata sem razão, se prende e tortura civis e ainda há quem tire prazer disso, temos de parar. Temos de recordar que tudo isso já aconteceu no passado. Não foi assim tão diferente. Continuamos a julgar alguém pela raça, pela religião, pelo género, pela sexualidade, pelas opções de vida ou pelo local de nascimento. A lei e a religião dizem que todos são iguais, mas ainda se decide o destino do indivíduo por um todo a que pertence. Ou pertenceu. Ou se acha que pertence. Ridículo. Como documentário funciona. Não nos repete o que já sabemos à exaustão. Não nos conta a história de milhares. Conta alguns daqueles que fizeram a diferença, sem procurar mérito ou fama. Pelo contrário, queriam segredo. Um minuto para cada um contar a sua história é suficiente. Quando a guerra terminou, os únicos vencedores foram os que mantiveram a sua humanidade. Não mataram ninguém, impediram que alguém morresse. É um filme de curta duração. Passa num instante, mas o seu impacto espero que seja duradouro. E repito, até pode ser apenas ouvido. Levando a mensagem como banda sonora para uma caminhada para ver a beleza do mundo e de quem nos rodeia. Um filme que fazia imensa falta para se parar e pensar. Filmes Filmes 2025 holocaustoNuno ReisSegunda Guerra Mundial