Sound of Falling Nuno Reis, 10 de Dezembro de 202510 de Janeiro de 2026 Estamos perante o filme mais complicado de ver de 2025. Algumas pessoas adoraram, outras odiaram, outras simplesmente desistiram a meio. As duas horas e meia assustam (este ano estamos a ter vários filmes assim longos) e temática também. Pela sinopse é sobre diferentes mulheres da mesma família numa casa ao longo dos anos. Como se “100 Anos de Solidão” fosse passado na Alemanha. Mas é mais complexo do que isso. É sobre a visão da juventude sobre a sociedade. A informação de que dispõem no seu cantinho para interpretar o resto do mundo. O filme acompanha jovens alemãs em diferentes épocas. No iníco do século XX, Alma, tem o primeiro contato com a morte ao ver o corpo da avó preservado para o velório. Nos anos 1940, durante a guerra, Erika vê a comunidade em preparação para o recrutamento. Mães mutilavam os próprios filhos para evitar que fossem chamados. É quando Erika começa a perceber o que é a morte. Décadas depois, nos anos 1980, Angelika vive numa Alemanha pós-guerra, onde enfrenta o assédio dos homens ao seu redor. Ao crescer, ela percebe a violência e crueldade com que as mulheres são tratadas. Estas histórias não nos são trazidas de forma cronológica ou linear. Nem em termos de temática são semelhantes. Sâo meros retalhos, como se remexessemos num velho baú com fotografias, diários e filmes familiares. Inclui uns momentos íntimos, outros alegres, uns de sofrimento e até de vergonha. Segredos bem ou mal guardados. Por vezes uma visão infantil e inocente que apenas assiste, outras uma adolescente que tem opinião sobre os factos, até à mulher adulta que toma parte nos eventos. É um retrato sobre épocas e factos menos explorados da Alemanha (muito se fala do relacionado com a guerra, mas pouco sobre a sociedade civil de então, o antes e o depois) e sobre o meio rural. Pequenos momentos que podem parecer familiares a quem assiste se tiver essas origens, ou se tiver ouvido as histórias, mas que pouco diz aos restantes. Por isso é um filme muito difícil de começar a ver. É pouco narrativo e quase artístico. Mas quem aguentar essa parte, vai ter as bases para assistir à parte que interessa. À que transmite uma mensagem e faz pensar. A que é cheia de detalhes e bela na sua simplicidade. Em que as personagens dizem frases que nos marcam. Em que já as conhecemos e empatizamos com os eventos. A última meia hora então é a mais confortável. Não só já estamos ambientados naquele meio, como já temos mais luz (excelente fotografia), as personagens vocalizam os seus pensamentos… O filme quase parece normal. Há quem lhe chame um teste de resistência pelo tempo que demora a chegar aqui. A verdade é que talvez nenhuma das histórias por si só merecesse um filme. Contá-las de forma linear seria aborrecido. Dar um fio condutor seria confortável. Mascha Schilinski na sua segunda obra decide mostrar o que sabe fazer com a dificuldade no máximo. Pode afugentar muitos espectadores, mas também vai marcar muitos. No fundo este filme foi uma arriscada experiência, mas quando ouvimos Anna von Hausswolff nos créditos finais a cantar uma nova versão da sua fabulosa Stranger, queríamos mais. Filmes Filmes 2025 HomossexualidadeMúsicaNuno ReisPrimeira Guerra Mundial