Visions Nuno Reis, 16 de Dezembro de 202515 de Dezembro de 2025 Este filme estreou entre nós já em 2023. Fomos talvez o primeiro mercado depois de França. Com os próximos dois filmes de Yann Gozlan prontos a serem lançados e sendo uma obra com Diane Kruger e Mathieu Kassovitz, finalmente os EUA decidiram fazer uma estreia limitada a coincidir com o lançamento online. Percebe-se o atraso. Falam uma mistura de idiomas que os deixaria perdidos. É principalmente francês, com muito castelhano e inglês pelo meio. E algumas das escolhas de quando mudar, e o que dizer em que língua, são importantes para perceber as personagens. Estelle pilota aviões comerciais em voos intercontinentais. Viagens longas, repousos muito longos. O marido Guillaume é médico, com longos dias de trabalho. Isso faz com que passem muito tempo afastados, e apreciem o tempo que estão juntos. Existe uma cumplicidade diferente das relações entre tem horários alinhados. Estelle tem alguns pesadelos, visões realistas, mas que não fazem nexo. Até que um dia Estelle encontra Ana no aeroporto. Uma amante do passado. As visões ficam mais fortes e começam a extravasar, quase se fundindo com a realidade. Estará Estelle em condições de voar ou terá enlouquecido? Estelle é uma personagem complexa, com uma profissão de enorme pressão e tempo livre para a mente divagar. Kruger concilia a sanidade da vida profissional com a loucura iminente. São duas facetas que se vão aproximando – caindo na loucura com alguns laivos de sanidade – e em que não se pode excluir a hipótese de ter visto algo que não se lembra. Guillaume começa com muita normalidade, mas como só o vemos pelos olhos de Estelle, também começamos a acreditar que fez algo. Kassovitz faz isso com o olhar. E depois temos Ana (Marta Nieto) que surge como uma distracção para Estelle. Um espírito livre sem responsabilidades que apenas vem perturbar a estabilidade do casal. Mas é Kruger a cola. O filme está sempre nos ombros dela. A narrativa era ambiciosa e o início promissor. Com fragmentos de sonho que vão reaparecendo para deixar o espectador curioso. O filme foi pensado ao detalhe ainda que abuse em algumas das metáforas. E prolonga-se por duas horas numa espiral em que raramente chega informação nova. Quando ficamos a saber o que se passou, parece muito mau. Quando temos a história toda, é menos terrível. E a maioria das peças começam a fazer sentido. O resto, terá sido um sonho? É que até os simuladores em que treina parecem aviões reais. Um erro será o fim ou só uma má nota? O filme foi um desafio estético. Paisagens deslumbrantes, efeitos visuais perfeitos. Só peca pela extenuante jornada mental. Seria difícil tirar algo na sala de edição, mas as duas horas são complicadas de acompanhar. Em especial porque dá vontade de rever sabendo como terminou, mas é demasiado longo para se pensar nisso antes de se ter esquecido porque o queremos ver. É um daqueles casos que teria funcionado bem como mini-série. Dando sempre um bocadinho mais. Indo sempre um bocado atrás para recordar um ou outro detalhe importante. Assim, foi uma oportunidade para recordar que grandes são os dois actores. E ainda que algumas cenas fiquem na retina, dificilmente se recordará detalhes da história. Filmes Filmes 2023 AviãocasamentofotografiaNuno ReisTraiçãoVida secreta