My Cousin Vinny (1992) Nuno Reis, 31 de Dezembro de 20256 de Janeiro de 2026 O primo mais famoso do cinema é certamente Vinny. Ainda que poucos tenham visto o filme, é um título que se reconhece imediatamente. Principalmente por ter um Oscar. E isso foi uma série de coincidências e acasos. Nem Joe Pesci nem Marisa Tomei foram primeiras escolhas para o filme. Mas acabaram por se tornar lendas também por causa disto. Comecemos pelo início. O realizador Johathan Lynn era advogado quando fez o filme. Exigiu que fosse realista em tudo o que era possível. A tal ponto que o American Bar Association Journal o classificou como o terceiro melhor filme de advogados de sempre – logo depois dos inevitáveis “To Kill a Mockingbird” e “12 Angry Men” – mesmo sendo uma comédia. Porque é um filme que segue o procedimento apesar de tudo. E injecta humor sempre que possível. Isso é que define uma obra de arte. Tudo começa quando Bill e Stan estão em viagem. Podia ser uma road trip. Quando param para uma compra e discutem o preço dos produtos, sabemos que estão enrascados de dinheiro. Até que são parados pela polícia e detidos. O interrogatório vai piorando até que se fala de pena capita e decidem que precisam de um advogado. Um barato de preferência. Por sorte, podem sempre contar com o primo Vinny. Só que Vinny não é um advogado especialista em crimes graves. Nem sequer é um advogado experiente. Já dizer que é um advogado é um abuso pois eles vão ser o seu primeiro caso. Joe Pesci já tinha muitos créditos como actor secundário. Este seria o primeiro como protagonista. Calhou que ganhou o Oscar de Melhor Actor Secundário por ”GoodFellas” durante esta rodagem e levou-o para inspirar os colegas. Funcionou pois Tomei ganhou um pelo seu trabalho como Actriz Secundária e a comédia nunca mais foi a mesma. Ambos construíram uma carreira de respeito assente neste filme de culto. Em “My Cousin Vinny” a estrutura é de um filme dramático e os actores tentam ter sérios, mas o humor infiltra-se sempre que pode. Uma situação normal torna-se louca e a reacção é “bem pensado”. Depois vem a segunda, a terceira, até que deixamos de reparar. É um formato único. Basta pensar que, nos trinta anos desde que estreou, no nicho das comédias de direito, apenas nos recordamos de “Legalmente Loira”. O direito é um tema aborrecido. Fazer comédias credíveis e interessantes sobre direito, é um feito. Não fossem as provas dadas nos raros filmes que funcionam, e seria fácil dizer que eram temas incompatíveis. É um filme como já não se faz. Com Pesci a ter tempo e liberdade para ser ele mesmo o filme todo, Tomei a tornar-se icónica numa personagem que tinha tudo para correr mal, e bons secundários em Fred Gwynne, Lane Smith e Bruce McGill. Isso sem contar com Ralph Macchio como o primo de Vinny. Para ver vezes sem conta. Filmes Filmes 1990's AdvogadosfamíliaNuno Reis